O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou por 10 dias seu ultimato de ataques contra as instalações de energia do Irã, citando avanços em negociações para tentar encerrar o conflito, enquanto Teerã segue sob bombardeio intenso de Israel nesta sexta-feira, 27.
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O que aconteceu
- Donald Trump adia ultimato de ataques contra o Irã por 10 dias, em meio a “avanços nas negociações” para cessar o conflito no Oriente Médio.
- O Irã, por sua vez, já transmitiu uma resposta ao plano de 15 pontos de Washington, estabelecendo condições para um cessar-fogo.
- Mesmo com o adiamento, Israel intensificou sua campanha militar, realizando ataques em larga escala contra Teerã e Beirute.
Sem um sinal de trégua no conflito que abalou os mercados de energia, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, desembarcou na França para o segundo dia de uma reunião do G7, na qual deve pressionar seus homólogos para obter ajuda em uma operação de reabertura do Estreito de Ormuz.
Foi justamente para forçar o acesso à rota crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos que Trump ameaçou destruir as centrais de energia elétrica do Irã.
Contudo, “a pedido do governo iraniano”, ele adiou o ultimato “até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h00” (horário de Washington, 21h00 de Brasília), anunciou o mandatário em sua plataforma Truth Social.
Qual o impacto nos mercados de energia?
O novo adiamento representa um pouco de calma aos preços do petróleo, que operavam em leve queda nesta sexta-feira. O barril de Brent do Mar do Norte, referência internacional, era negociado a 107 dólares, mas a cotação continua 40% acima do preço registrado antes do conflito.
Trump também destacou que o Irã, como presente e demonstração do avanço dos contatos bilaterais, permitiu a passagem de 10 navios por Ormuz.
Há vários dias, o presidente americano oscila entre ameaças de atacar o Irã com ainda mais força e declarações de que o conflito terminará em breve.
“As conversações continuam e, apesar das declarações equivocadas dos meios de comunicação de notícias falsas e de outros, vão muito bem”, acrescentou, ao afirmar que o Irã está mais disposto do que ele a negociar para encerrar o conflito.
Teerã e suas condições
Teerã, por sua vez, recusa-se a utilizar no momento o termo “negociações”, mas, segundo uma fonte anônima citada na quinta-feira pela agência de notícias Tasnim, já transmitiu “oficialmente” e “por meio de intermediários” uma resposta ao plano de 15 pontos que Washington propôs para encerrar os confrontos.
O país estabeleceu condições para o cessar-fogo e aguarda “uma resposta da outra parte”.
Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, anunciou que atacou nesta sexta-feira, com mísseis e drones, alvos militares e do setor de energia em Israel e nos países do Golfo, onde se encontram bases militares americanas.
Israel intensifica ataques apesar das negociações
No sábado, 28, a guerra, desencadeada pela ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, completará um mês. O conflito se propagou por todo o Oriente Médio, o que aumentou os temores sobre a economia mundial e o abastecimento de petróleo e gás.
Embora Washington pareça buscar uma saída diplomática para a guerra, Israel mostrou sua determinação de intensificar a campanha militar com novos ataques nesta sexta-feira contra a capital do Irã e os subúrbios do sul de Beirute.
Também foram ouvidas explosões no sul da capital libanesa, Beirute, considerada por Israel um reduto do grupo islamista pró-iraniano Hezbollah.
O Líbano foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o grupo islamista apoiado pelo Irã lançou mísseis contra Israel em represália pela morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei durante o primeiro dia do conflito.
Mais de 1.100 pessoas morreram e um milhão foram deslocadas desde então, segundo as autoridades libanesas.
Israel não se pronunciou sobre as negociações de paz que Washington afirma manter com o Irã, com a mediação do Paquistão.
A tática do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de combater tanto no Irã como no Líbano já não conta abertamente com um consenso no país. O líder da oposição israelense, Yair Lapid, criticou combates “sem estratégia, sem os recursos necessários e com muito poucos soldados”.
O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, reconheceu na noite de quinta-feira que o Exército israelense precisava de “forças adicionais”.
* Com informações da AFP