Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Tenho 55 anos e continuo – como desde garoto – movido a paixões e amizades. Sempre fui ‘caliente’ em minhas escolhas, nem sempre as mais acertadas e melhores, aliás. Mas nunca me deixei levar por mesmices. Meus amigos e afetos precisam ter verve, ter pegada, ainda que diferentes ou opostas às minhas. Infelizmente, contudo, alguns têm seguido por um caminho que não posso tolerar, portanto, não me restou outra alternativa senão a distância, o que me dói bastante, muito mesmo!!, diga-se de passagem.

Não me importo que amigos queridos votem em Jair Bolsonaro, o patriarca do clã das rachadinhas. Ora, mesmo que por ojeriza absoluta ao PT, eu votei nessa porcaria no segundo turno em 2018. Mas jamais votarei novamente, nem mesmo em oposição ao meliante de São Bernardo. Se as escolhas forem apenas essas duas merdas – ou Lula ou Bolsonaro -, não arredarei o pé de casa. Não serei cúmplice, outra vez, do pior presidente (e governo) da história, nem muito menos de um cretino safado como o chefão petista.

Porém, há uma grande diferença entre não me importar com quem votará em Bolsonaro, o amigão do Queiroz e do pastor das barras de ouro, e conviver intimamente com quem apoia homofobia (‘prefiro um filho morto a um filho gay’), preconceito contra negro (‘o quilombola mais leve pesava 7 arrobas e não servia nem para reproduzir’), violência política (‘a esquerda tem de ser exterminada do Brasil’) e golpe de Estado (‘não cumprirei mais ordens do STF; não aceitarei passar a faixa presidencial se as eleições não forem limpas’).

Na época da cleptocracia lulopetista, especialmente após as espantosas revelações do mensalão – e depois do petrolão -, eu me afastei de amigos também muito queridos, não por continuarem alinhados aos ideais do PT ou ainda votarem em Lula e companhia, mas por apoiarem os métodos autocráticos, antidemocráticos e corruptos de um claro projeto de poder hegemônico, para não dizer de partido único, inspirado em facínoras terroristas e nos piores ditadores e ditaduras mundiais, especialmente das Américas Central e Latina.

Hoje, infelizmente, assisto triste e estupefato, e extremamente decepcionado e frustrado, a amigos íntimos – muito próximos mesmo! -, inclusive de longa data, confessarem o desejo de um golpe de Estado, por parte de Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, por não aceitarem a vontade popular e democrática, e o possível – e provável – retorno do ex-tudo (ex-condenado, ex-presidiário, ex-corrupto e ex-lavador de dinheiro), Lula da Silva, e seu séquito de ladrões à Presidência da República Federativa da Bosta do Brasil.

HAVERIA FUTURO?

Não compreendo como podem ser tão limitados intelectualmente, tão simplórios e rasteiros, tão incrivelmente egoístas e ignorantes, e como podem não imaginar o País nas mãos de um imbecil que idolatra torturador, condecora assassino de aluguel, convive e emprega milicianos, se associa e entrega o governo a Arthur Lira, Valdemar da Costa Neto, Fernando Collor e Ciro Nogueira enquanto se dedica a motociatas, arruaças digitais, passeios de lancha e jet ski, visitas a parques de diversões e viagens internacionais inúteis.

Será que não conseguem imaginar o que aconteceria com o Brasil, caso o sociopata que nem sequer consegue se expressar corretamente, de fato tentasse uma ruptura institucional? Será que imaginam que 27 governadores; quase 6 mil prefeitos; milhares de vereadores, deputados estaduais e federais e senadores; juízes, desembargadores e ministros; a maioria dos militares das três Forças; a maioria das Polícias militar, civil e rodoviária; e no mínimo 170 milhões de brasileiros ficariam bovinamente quietos?

E o que dizer da comunidade internacional? O que dizer da ONU, OEA, OCDE, UE, G7, G20, BRICS, FMI, BID? Todos aceitariam de bom grado? As multinacionais se manteriam no País? A Organização Mundial do Comércio (OMC) manteria normalmente as relações comerciais com o Brasil? O dólar não explodiria, os juros não estourariam, as nossas exportações não desabariam? Será que essas pessoas, essas bestas ao quadrado não sabem o que está acontecendo com a Rússia? Em que planeta vivem, meu Deus?

Como essa gente, com quem convivi tão intimamente e por tanto tempo, não é capaz de compreender o que – e como – seria viver em uma ditadura, sem Estado de Direito, sem garantias individuais, sem respeito às leis, sem Constituição, sem direito à propriedade privada? Ou será que acreditam que somente um ditador e uma ditadura de esquerda seriam capazes de governar o País dessa forma? A droga dessa família já faz o que faz em uma democracia (ainda que frágil e cheia de imperfeições), imaginem sendo dona do País?

Sinceramente, é muito triste e muito doído. E o pior é que não adianta – aliás, já desisti – conversar e tentar explicar tudo isso que vai acima. Tornaram-se múmias petrificadas, ou por medo irracional (do PT) ou por mero fanatismo burro, e já não distinguem fantasia da realidade. Absolutamente não contestam os fatos; apenas repetem bordões idiotas e servis e encastelam-se cada vez mais no labirinto da ignorância e brutalidade. É uma pena! Foi bom enquanto durou. Bye, bye, pessoal. Sejam felizes por aí, que seguirei por aqui.