Tribunal suspende processo contra Berlusconi devido a internação

MILÃO, 28 ABR (ANSA) – O Tribunal de Milão suspendeu nesta quarta-feira (28) um processo contra o ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi por corrupção de testemunhas.   

A medida se deve aos alegados problemas de saúde do ex-premiê, que está internado desde o dia 6 de abril no Hospital San Raffaele, na capital da Lombardia. A contagem do prazo de prescrição também foi suspensa.   

“Uma vez que o atual estado de internação constitui impedimento absoluto de comparecer na audiência, o processo está suspenso, com interrupção dos termos de prescrição, até a data da alta”, diz a decisão do Tribunal de Milão.   

A corte também cogita ordenar uma perícia médica caso a defesa de Berlusconi continue alegando problemas de saúde para adiar as audiências do processo – a próxima sessão foi marcada para 19 de maio.   

Um dos advogados do ex-premiê, Federico Cecconi, disse que seu cliente ainda enfrenta “consequências” da Covid-19. Berlusconi, 84 anos, contraiu o novo coronavírus no início de setembro, há mais de sete meses, e recebeu alta em 10 dias.   

“Sobre suas condições, me limito a dizer que ele ainda está hospitalizado”, declarou Cecconi. Até hoje a defesa não explicou qual o real problema de saúde enfrentado pelo ex-primeiro-ministro, que já conseguiu adiar diversas audiências em processos por corrupção de testemunhas devido às suas recorrentes internações – essa é a quarta vez que ele vai para o hospital apenas em 2021.   

O caso – Berlusconi e mais 28 pessoas respondem no Tribunal de Milão por corrupção em atos judiciários e falso testemunho.   

Segundo a denúncia, o ex-premiê teria subornado garotas de programa para manipular seus depoimentos à Justiça sobre as noitadas em suas mansões, apelidadas de “bunga-bunga”.   

O processo é conhecido como “Ruby ter” e também conta com desmembramentos independentes em outras cidades da Itália, como Siena, onde o Ministério Público pediu a condenação do ex-premiê a quatro anos e dois meses de prisão.   

O processo em Siena já está na fase final, porém a audiência de divulgação da sentença foi adiada três vezes apenas em abril devido à internação de Berlusconi.   

Esses inquéritos nasceram do processo “Ruby”, no qual o ex-primeiro-ministro foi absolvido dos crimes de prostituição de menores e abuso de poder. O nome faz referência à modelo ítalo-marroquina Karima el Mahroug, a Ruby, pivô do escândalo sexual que abalou a imagem de Berlusconi.   

Entre 2010 e 2014, o ex-premiê teria gastado mais de 10 milhões de euros para manipular testemunhas em seus julgamentos.   

Berlusconi já foi condenado em última instância por fraude fiscal, pena descontada com um ano de serviços sociais, e hoje é deputado do Parlamento Europeu. (ANSA).