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Tribunal peruano confirma detenção preliminar para ex-presidente

Tribunal peruano confirma detenção preliminar para ex-presidente

Ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski numa audiência de apelação em Lima, em 15 de abril de 2019 - AFP

Um tribunal peruano rejeitou na segunda-feira o pedido de liberdade do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski e ordenou o cumprimento dos 10 dias de detenção preliminar, no âmbito de uma investigação pelo suposto crime de lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção que envolve a empreiteira Odebrecht.

“Confirmar a medida de detenção preliminar contra o cidadão Pedro Pablo Kuczynski”, decidiu o magistrado Juan Guillermo Piscoya, presidente da primeira sala de apelações da Corte Superior de Justiça.

“Existem indícios suficientes de suposta lavagem de dinheiro do cidadão Kuczynski e de obstrução às investigações”, completou o juiz.

O tribunal revogou a medida de detenção preliminar para a ex-secretária Gloria Kisic e do ex-motorista José Luis Bernaola, ambos detidos junto a Kuczynski por 10 dias.

A procuradoria especial responsável pela Lava Jato, que investiga os esquemas de suborno envolvendo a empreiteira Odebrecht no Peru, anunciou que solicitará a prisão preventiva – que pode chegar a 36 meses – para Kuczynski na audiência de apelação da detenção, que acontecerá nesta terça-feira.

A audiência, transmitida pela televisão, ocorreu na presença de Kuczynski, representantes da procuradoria e advogados.

“Destruíram minha reputação, de um homem que trabalha há 60 anos”, disse Kuczynski, 80 anos, que descartou fugir do país. “Estou neste momento sem fundos porque minhas contas estão bloqueadas há muitos meses”, lamentou.

“É uma cilada (emboscada) e uma arbitrariedade”, afirmou o advogado César Nakazaki, defensor do ex-presidente.

A solicitação de prisão preventiva incluiu a ex-secretária Kisic e o ex-motorista Bernaola. A Procuradoria suspeita que os dois foram usados como laranjas pelo político, que esteve na presidência de 2016 a 2018. Os três são acusados de lavagem de dinheiro.

Kuczynski foi detido na quarta-feira passada, após um tribunal especializado em crime organizado e corrupção de funcionários públicos aceitar um pedido de detenção de 10 dias por risco de fuga e obstrução da justiça.

– Kuczynski e Odebrecht –

Kuczynski, ex-banqueiro de sucesso em Wall Street, é investigado por receber propina da Odebrecht por assessorias realizadas por duas empresas ligadas a ele: First Capital e Westfield Capital.

Odebrecht revelou no final de 2017 que havia destinado cerca de cinco milhões de dólares em pagamentos por assessorias à First Capital e a Westfield Capital quando o ex-presidente era ministro de economia de Toledo. O acusado nega até o momento todo vínculo com a empresa brasileira.

A acusação assegura que Kuczynski favoreceu a Odebrecht na licitação para a construção da rodovia interoceânica Peru-Brasil e no projeto de irrigação hidroenergética Olmos, no norte de Peru.

Além disso, Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht no Peru, disse à justiça no Brasil que a empresa deu 300 mil dólares para a campanha presidencial de Kuczynski de 2016, um valor que não figura nos registros da campanha.

Esta revelação provocou um processo de impeachment no Congresso, que culminou com a renúncia de Kuczynski em 21 de março de 2018.

– Quatro ex-presidentes na mira –

Além de Kuczynski, outros três ex-presidentes do Peru são investigados e podem ser presos por conta do caso o Odebrecht no país. Eles são: Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (1985-1990 e 2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

García, Humala e Kuczynski estão proibidos de deixar o país, enquanto Toledo fugiu para os Estados Unidos, onde enfrenta um pedido de extradição.

A Odebrecht admitiu na justiça americana que pagou 29 milhões de dólares em subornos durante três governos peruanos, incluído o segundo de García.

Em dezembro passado, a empreiteira fechou um acordo de cooperação pelo qual aceitou pagar uma multa ao Estado peruano e a entregar provas que podem comprometer ainda mais os quatro ex-presidentes e outros políticos e funcionários peruanos.

Humala e sua esposa Nadine passaram nove meses em prisão preventiva por este caso.