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Tribunal confirma condenação da Itália em ‘caso Amanda Knox’


ROMA, 26 JUN (ANSA) – A Corte Europeia de Direitos Humanos, sediada em Estrasburgo, na França, anunciou nesta terça-feira (25) que reafirmou a decisão tomada em janeiro deste ano na qual reconhece que a Itália violou os direitos de defesa da norte-americana Amanda Knox durante interrogatórios sobre o assassinato da estudante britânica Meredith Kercher em 6 de novembro de 2007 No início do ano, o tribunal já havia decidido que o país deveria pagar cerca de 18 mil euros em danos e custos legais a Knox por não lhe fornecer um advogado ou tradutor adequado durante as etapas iniciais da investigação.   

No parecer, os juízes afirmaram que a Itália não conseguiu provar que “a restrição do acesso de Knox não prejudicou irreparavelmente a imparcialidade do processo como um todo”.   

A decisão foi tomada na última segunda-feira (24) durante um painel de juízes do tribunal de direitos humanos. Após análises do processo de janeiro, os magistrados rejeitaram um pedido do Estado italiano de que o caso fosse encaminhado a um grande júri para ser reexaminado.   

Com isso, a Corte finalizou a ação e decretou que o Estado italiano terá de pagar a indenização a Knox. A medida deve encerrar todos os processos da norte-americana na Itália. A defesa de Knox alegava que, ao ser presa pela polícia italiana, em novembro de 2007, ela foi questionada sem a presença de advogados e submetida a um “fortíssimo estresse psicológico”. Além disso, a norte-americana afirmou não ter contado com a presença de um tradutor. No processo, a jornalista e escritora também disse que os “tapas” que levou na testa durante o interrogatório constituem um tratamento “desumano e degradante”.   

Embora tenha decidido que seus direitos de defesa foram violados, a Justiça determinou que “não havia nenhuma evidência que mostrasse que Knox havia sido submetida ao tratamento desumano ou degradante do qual ela havia se queixado”.   


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A Corte Europeia havia acolhido a ação em maio do ano passado e, na ocasião, notificou o governo italiano para que pudesse realizar sua defesa. Hoje no papel de vítima, a norte-americana foi absolvida em março de 2015 do assassinato de Kercher, ocorrido em novembro de 2007, na cidade italiana de Perúgia. Ela e seu ex-namorado Raffaele Sollecito chegaram a ser condenados em segunda instância a mais de 20 anos de prisão pelo crime, mas uma sentença definitiva da Corte de Cassação de Roma os livrou da pena.   

Knox retornou à Itália pela primeira vez desde a absolvição no último dia 13 de junho para participar do 1º Festival de Justiça Penal em Modena, onde debateu as “condenações injustas”.   

Relembre o crime O homicídio ocorreu na cidade italiana de Perúgia, onde Knox e Kercher dividiam um apartamento. O corpo da britânica foi encontrado na residência em que elas moravam degolado, seminu e com uma série de feridas.   

O caso logo chamou atenção pelas circunstâncias que o envolviam.   

Ao lado do marfinense Rudy Guede, que vivia com as duas e foi condenado a 16 anos de prisão, Knox e Sollecito – na época namorados – foram acusados de matar Kercher em meio a discussões sobre a limpeza da casa e jogos sexuais que fugiram do controle.   

A beleza da norte-americana também foi outro chamariz para o crime. Na Itália, ela ficou conhecida como “a diaba com rosto de anjo”. O ex-casal chegou a ser sentenciado após o DNA de Knox ter sido encontrado em uma faca com o sangue da vítima e ficou preso na Itália até 2011, quando a Corte de Cassação anulou o processo por conta de uma série de falhas na perícia.   

No mesmo dia em que foi libertada, a norte-americana voltou para a casa de sua família em Seattle, nos Estados Unidos, onde está até hoje. No fim de 2013, o mesmo tribunal determinou a reabertura do caso, já que a inocência dos dois não tinha sido comprovada, culminando na sentença condenatória da Corte de Apelação de Florença em janeiro do ano seguinte.   

Contudo, a decisão foi derrubada pela Corte de Cassação, que não viu indícios de participação de Knox e Sollecito no assassinato e os absolveu em definitivo. (ANSA)

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