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Três anos após desastre de Mariana, indígenas Krenak pedem justiça

Três anos após desastre de Mariana, indígenas Krenak pedem justiça

(ARQUIVOS) Foto aérea tirada em 6 de novembro de 2015 mostrando parte dos danos causados por uma barragem estourou na véspera na aldeia de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais - AFP/Arquivos

Em 5 de novembro de 2015 o Brasil viveu o pior desastre ambiental de sua história, quando o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), lançou resíduos de mineração que contaminaram o Rio Doce. Três anos depois, os indígenas Krenak, pedem “que se faça justiça”.

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“Estamos muito tristes em ver a impunidade que reina hoje”, afirma Geovani Krenak, membro desta etnia, que denuncia a destruição de seu modo de vida, em uma entrevista à AFP em Paris, onde recebeu um reconhecimento pela luta de seu povo.

“Três anos depois, ninguém foi condenado”, acrescenta, denunciando que diferentemente das alegações da empresa Samarco, dona da barragem, o rompimento não foi resultado de um “acidente” banal, mas um “crime premeditado” provocado por decisões “irresponsáveis”.

A barragem, situada em Minas Gerais, continha quase 40 milhões de metros cúbicos de resíduos de mineração, com perigosas substâncias poluentes.

A enxurrada de lama que se formou após seu rompimento matou 19 pessoas, destruiu várias localidades e percorreu mais de 600 quilômetros pelo Rio Doce até o oceano Atlântico, devastando fauna e vegetação no caminho.

– Ferida ‘espiritual’ –

Antes do rompimento da barragem, os Krenak viviam à beira do rio Doce, onde subsistiam graças à pesca, se abasteciam da água do rio para beber e irrigar as plantações. Mas a contaminação maciça de suas terras lhes privou de seus meios de subsistência.

“É um crime que mudou completamente o modo de vida do povo Krenak”, afirma.

Agora que não podem mais pescar no rio, hoje de cor ocre, as 120 famílias desta tribo sobrevivem graças à “venda de artesanatos” e a “medidas de emergência” tomadas após a catástrofe, sobretudo do abastecimento de água potável.

Mas a destruição de seu rio “sagrado” é também uma ferida “espiritual” profunda para este povo, cuja cultura está estreitamente vinculada às águas do Rio Doce, que chamam de ‘Watu’ em krenak.

“Além de nos dar comida e água, utilizávamos o rio para nossas práticas espirituais. Agora não podemos sequer entrar em suas águas. Isto, para um povo indígena que foi sempre criado nas margens do rio, é uma mudança radical, uma mudança no modo de vida, em nosso modo de nos relacionarmos com a natureza”.

A Samarco – propriedade da Vale e da anglo-australiana BHP-Billiton -, que enfrenta processos bilionários e acusações de homicídio qualificado, afirma que está fazendo todo o possível para superar o que considera um trágico acidente.

Mas para os Krenak, isso não é suficiente.

– Pessimistas com Bolsonaro –

Além de pedir “justiça”, os Krenak exigem a demarcação das terras indígenas, sobretudo do território de Sete Salões, na outra margem do rio, que afirmam que foi preservado da contaminação provocada pela ruptura da barragem.

“O acesso a esse território nos permitiria retomar atividades tradicionais, atividades de subsistência mas também culturais”, afirma Geovani Krenak.

No entanto, com a eleição do novo governo de Jair Bolsonaro, que disse que se fosse eleito não cederia “nem um centímetro a mais” para a demarcação dos territórios autóctones, este krenak admite se sentir “pessimista”.

“Conhecemos suas posições, sabemos que é hostil aos interesses dos povos nativos e a seus direitos em relação à terra”, aponta.

“Vai defender sempre os interesses contrários aos dos povos autóctones”, sobretudo os do poderoso setor do agronegócio, responsável por boa parte do PIB brasileiro, afirma.

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