Brasil

Transferência de culpa

Bolsonaro provoca uma inversão de valores a respeito do comércio ilegal de madeira extraída na Amazônia e responsabiliza estrangeiros

Crédito: Lalo de Almeida

MERCADO Cerca de 70% da exploração de madeira no Pará é feita de forma ilícita (Crédito: Lalo de Almeida)

Na terça-feira, 17, aconteceu a cúpula virtual do Brics, reunião diplomática que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e se pensava que o principal tema de discussão seria a Covid-19. De forma inesperada, porém, o tom harmonioso do encontro mudou. O presidente Jair Bolsonaro decidiu trazer a baila os assuntos do desmatamento e da exportação de madeira ilícitos que ocorrem na Região Amazônica. “Revelaremos nos próximos dias os nomes dos países que importam essa madeira extraída de forma ilegal”, disse. O ato deixou subentendido que os europeus atuam como receptadores fora da lei. A intenção do presidente Bolsonaro é rebater a enxurrada de criticas que tem recebido pelo aumento do desmatamento da Floresta Amazônica, que teve alta de 34% entre agosto de 2019 e junho de 2020 e pela destruição do Pantanal, onde as queimadas subiram acima de 200% esse ano. Ele afirma que a política ambiental brasileira sofre “ataques injustificáveis”, e, em sua defesa, toma como base a operação da Polícia Federal denominada Arquimedes, que, em 2017, descobriu dez mil metros cúbicos de madeira que seria exportada ilegalmente. A quantidade apreendida seria suficiente para cobrir o percurso entre Brasília e Belém.

“A exportação de madeira ilegal é uma prática antiga, mas a postura do governo incentiva esses atos” Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe (Crédito: GABRIEL REIS)

Segundo as investigações, 63 empresas estão envolvidas no caso, uma parte da carga ficaria no Brasil e a outra teria como destino países da Europa e os EUA. A insinuação falaciosa do presidente Jair Bolsonaro destoa do tema essencial do momento, na cúpula, além de tentar imprimir uma inversão de valores em relação a obrigatoriedade brasileira em cumprir a função de supervisionar o desmatamento e a exportação da madeira. “A postura do governo federal estimula ações ilegais”, afirma Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe. Ele explica que o poder de fiscalização do Ibama, órgão que é ligado ao Ministério do Meio Ambiente, foi reduzido.

Na verdade, em vez de conter os desmatamentos, o governo abre a porteira para a passagem da boiada. Para atender os anseios dos madeireiros acabou no mês de março a exigência sob as empresas em adquirir a documentação específica de exportação. Rômulo Batista, porta-voz da Campanha da Amazônia do Greenpeace, diz que o Ibama suspendeu normas técnicas do próprio órgão para beneficiar o setor. O nível de felicidade dos madeireiros do Pará foi tão alto que o presidente do Ibama, Eduardo Bim, recebeu parabéns pelos serviços prestados. Para conter a flexibilização, entidades ambientais entraram na Justiça contra o desmantelamento normativo. “O projeto ambiental do governo Bolsonaro deve ser combatido”, diz Batista. Mas vai ser difícil, já que o ministro Ricardo Salles não admite vozes dissonantes. Em abril ele exonerou André Teixeira, coordenador-geral do Ibama que era contra a exportação de madeira sem autorização. No caso brasileiro, a madeira mais valorizada é o Ipê, “o metro cúbico vale três mil dólares em Belém”, disse Batista. Além disso, a madeira vendida ilegalmente é sete vezes mais barata. Esses fatores mostram o potencial lucrativo do esquema. Além da desregulamentação jurídica, as inspeções que eram feitas nos portos do País pelo Ibama deixaram de acontecer. Para Galvão, tudo que é necessário para preservação da floresta vai contra a política ambiental do governo Bolsonaro

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