Tragedia em Capitólio levanta questões de segurança em áreas de turismo ecológico

Crédito: Fotos Flavia Vitorino

(Crédito: Fotos Flavia Vitorino)


O Mar de Minas é mesmo maravilhoso. O lago artificial que surgiu a partir da implantação da hidrelétrica de Furnas na década de 1950 é uma imensidão de águas, com paisagens, cânions e penhascos gigantes que formam uma das regiões mais bonitas e desejadas pelos turistas em terras mineiras. Com 1.440 km² de extensão, a região do Lago de Furnas banha 31 cidades mineiras beneficiadas pelo turismo da região.

A primeira vez que cheguei às margens do lago e do cânion que guardava as quedas da cascata e cascatinha fiquei um tanto assustada. Isso porque eram dezenas e dezenas de lanchas desgovernadas que por diversas vezes passavam sem nenhum respeito pelo meu caiaque, que tentava chegar até lá inteiro.

Não havia fiscalização, controle ou regras de trânsito de navegação, coletes salva-vidas ou mesmo quantidade de turistas e de lanchas. Assustador eu diria, considerando um patrimônio natural tão rico e lindo. Na parte de cima, várias barracas de ambulantes e um rastro de lixo plástico. À beira do penhasco, selfies sem placas de sinalização de perigo ou cercas limitantes.

São cerca de 5 mil turistas por fim de semana e 30 mil em feriados. O município possui 60% da economia baseada no turismo, fora a intensa especulação imobiliária na região para a criação de loteamentos destinados ao fluxo de turistas.

“Já deveriam seguir um protocolo de segurança para os turistas, o problema é que não existe nenhuma lei no Brasil que exija um mapeamento geológico de risco em áreas turísticas. Temos essa lei para áreas urbanas e habitáveis, em áreas naturais essa lei não contempla. É preciso avançar com essa obrigatoriedade para que em áreas naturais de grande visitação exista controle e estudos para que essas visitações ocorram com segurança, principalmente em épocas mais críticas com grande quantidade de chuvas onde o acúmulo da água gera desmoronamentos como este”, explica Joana Paula Sánchez, professora de mapeamento geológico da Universidade Federal de Goiás.

A falta de estudo de risco geológico para garantir a segurança de turistas no Brasil é um problema. Existe falta de organização municipal, estadual e federal para a contratação de pessoal capacitado, unidos ao foco econômico turístico, que infelizmente tem colocado pessoas em risco. É preciso um olhar atento e responsável para essa questão. O município de Capitólio, por exemplo, precisa criar instrumentos para que esse crescimento turístico seja seguro, ambientalmente sustentável e socialmente justo.


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Sobre o autor

Flavia Vitorino é jornalista e turismóloga especialista em destinos e viagens de natureza. Diretora de conteúdo do aplicativo LYFX e agente de viagens pela GO Escape.


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