Cultura

Traços marcantes tornaram Max von Sydow um intérprete privilegiado

Morto neste domingo, dia 8, aos 90 anos, o ator sueco Max von Sydow talvez seja mais conhecido do público por sua participação na série Game of Thrones, ou em filmes populares como O Exorcista. Ou por suas indicações ao Oscar por Pelle o Conquistador (1987) ou Tão Forte e Tão Perto (2012). Mas é de sua colaboração prolongada com o diretor Ingmar Bergman a marca indelével que Von Sydow deixa na história do cinema.

Como esquecer, por exemplo, o cavaleiro que joga xadrez contra a Morte na obra-prima O Sétimo Selo? O filme é uma alegoria do após-guerra ambientada na Idade Média. A morte pela peste ronda a humanidade, assim como o holocausto nuclear ameaçava a humanidade após os desastres quase consecutivos de duas guerras mundiais devastadoras. Von Sydow encarna o cavaleiro idealista, que tenta adiar o inevitável e, como todos, é derrotado neste jogo de xadrez com as peças marcadas pela fatalidade.

Seus traços marcantes o tornaram intérprete privilegiado da primeira fase da carreira de Bergman. Depois de O Sétimo Selo, Von Sydow participou de vários outros filmes do mestre sueco: Morangos Silvestres (1957), O Rosto (1958), No Limiar da Vida (1958), A Fonte da Donzela (1960), Luz de Inverno (1963), A Hora do Lobo (1967), A Paixão de Ana (1969, A Hora do Amor (1971). Grandes filmes, com algumas obras-primas entre eles.

Por que Max von Sydow se tornou intérprete tão caro a Bergman? Uma hipótese: sua forma de atuar, interiorizada, expressiva porém contida, combinava à perfeição com o estilo do cineasta e com a expectativa que este tinha em relação à sua obra e seus atores e atrizes. Von Sydow era o ator nórdico por excelência, aquele que traduzia como ninguém as angústias e a profundidade espiritual do seu povo.

Com essas características, realizou o melhor de sua obra. Mas tinha também versatilidade para seguir uma carreira internacional, com personagens de grande repercussão como o Padre Merrin de O Exorcista (1973), de William Friedkin.

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Trabalhou também com grandes diretores italianos como Valerio Zurlini, em O Deserto dos Tártaros (1976) e Francesco Rosi, em Cadáveres Ilustres (1976). Participou de continuações, como em O Exorcista II – o Herege (1977) e foi o Imperador Ming em Flash Gordon (1980). Fez parte do elenco de Conan, o Bárbaro (1982) e de 007 – Nunca Mais outra Vez (1984). Woody Allen o chamou para um dos seus melhores filmes, Hannah e suas Irmãs (1986) e Steven Spielberg o trouxe para Minority Report (2002).

Na França, fez O Escafandro e a Borboleta (2007), de Julian Schnabel, e trabalhou em Ilha do Medo (2010), sob a batuta de Martin Scorsese. Também na franquia Star Wars – o Despertar da Força (2015) e em Kursk – a Última Missão (2018), história da tragédia com o submarino russo dirigida pelo dinamarquês Thomas Vinterberg.

Max von Sydow foi um ator completo. Tendo trabalhado tanto com um dos (poucos) gênios do cinema, Ingmar Bergman, podia fazer o que bem quisesse no resto de sua carreira. De pequenos papéis em filmes empenhados a participações “de luxo” em obras mais populares. A todos esses papéis, fáceis ou difíceis, Von Sydow concedia esse toque único, de personalidade, classe e profundidade.

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