Cultura

Trabalho une escolhas artísticas e uma pesquisa documental

O trabalho de Marina Amaral vai além do período que compreendeu a Segunda Guerra. As ruas de Paris antes da Revolução Francesa, o Titanic sendo preparado para zarpar e aviadora americana Amelia Earhart na cabine de um avião são alguns dos registros históricos que ela escolheu para colorizar. O processo é, muitas vezes, demorado. Tudo é feito digitalmente, com ajuda do Photoshop. Nenhum algoritmo ou filtro é aplicado: os detalhes selecionados são pintados à mão, como em um grande livro de colorir.

A parte mais importante do trabalho é a pesquisa. “Fotografias são documentos e devem ser respeitadas como tal”, afirma Marina. Com historiadores e especialistas, a colorizadora identifica o maior número possível de detalhes de cada foto para, a partir daí, mergulhar em documentos da época, livros e jornais que possam indicar cores e texturas dos objetos retratados – como medalhas, uniformes e bandeiras. Quando não há informação disponível, Marina toma decisões artísticas. “É inevitável”, afirma.

Marina diz que seu trabalho mais difícil foi a produção do livro The Colour of Time: A New History of the World, 1850-1960, em parceria com o jornalista britânico Dan Jones. Publicado em agosto de 2018, mas ainda sem versão em português, obra chegou a ficar entre as cinco mais vendidas do Reino Unido.

“Foram dois anos selecionando fotos, colorizando, pesquisando e escrevendo o conteúdo”, diz Marina. O objetivo dos autores era ir além da história dos Estados Unidos e da Europa. “Queríamos abraçar a história de todos os lugares. Foi muito difícil encontrar um equilíbrio”, explica. Nas fotografias, guerras e revoluções dividem espaço com eventos desconhecidos do grande público.

Brasil. Apesar da nacionalidade, Marina quase não possui conteúdo brasileiro no portfólio. “As instituições brasileiras não têm hábito de dispor fotos digitalmente e, quando o fazem, não liberam muita coisa para o domínio público”, explica. Apesar da dificuldade, Marina tem projetos para colorir registros da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e fotos da Família Imperial. “Acredito que isso ofereceria uma perspectiva única sobre momentos da nossa história”, afirma.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.