Matéria sobre suposta exploração de brasileiros em sorveterias gera reação na Itália

Associação de Belluneses reage a denúncias de exploração em sorveterias alemãs e exige provas concretas

Matéria sobre suposta exploração de brasileiros em sorveterias gera reação na Itália

Uma reportagem sobre o suposto tratamento análogo à escravidão dispensado a migrantes brasileiros em sorveterias administradas por italianos na Alemanha provocou protestos da Associação de Belluneses no Mundo (ABM). O artigo, publicado pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, detalha condições de trabalho exploratórias, incluindo jornadas semanais de até 80 horas e salários inadequados. Muitos dos trabalhadores brasileiros citados na matéria possuem passaporte italiano e são oriundos de Urussanga, município historicamente ligado à emigração de moradores da região do Vêneto, na Itália.

  • Uma reportagem denuncia trabalho análogo à escravidão de brasileiros em sorveterias na Alemanha.
  • O jornal Süddeutsche Zeitung relata jornadas de até 80 horas semanais e baixos salários para os migrantes.
  • A Associação de Belluneses no Mundo (ABM) protestou, defendendo o setor e exigindo denúncias com provas.

Oscar De Bona, presidente da Associação de Belluneses no Mundo (ABM), reagiu veementemente às acusações. Segundo De Bona, “não se pode denegrir um setor histórico por causa de algumas poucas “ovelhas negras””. Ele enfatizou a contribuição dos sorveteiros italianos para a Alemanha e para a própria Itália.

“Nossos sorveteiros, especialmente os das áreas de Belluno e Treviso, deram contribuições extraordinárias tanto para a Itália quanto para a Alemanha no pós-guerra e nos anos seguintes à tragédia de Vajont, por meio de décadas de imenso trabalho árduo, sacrifício e dedicação”, declarou o dirigente da ABM.

É correto generalizar as acusações?

De Bona criticou a falta de especificidade nas denúncias. “Quem desejar denunciar ou expor tais situações deve fazê-lo abertamente, fornecendo seu nome completo e identificando o estabelecimento específico envolvido, permitindo, assim, que as medidas legais cabíveis sejam tomadas pelos canais apropriados”, afirmou.

Ele considerou “profundamente lamentável que uma publicação de tamanha relevância dê espaço a alegações vagas que acabam manchando a reputação de gerações de trabalhadores”. A associação defende que as acusações não devem manchar a imagem de todo um setor.

A situação atual é diferente do passado?

Riccardo Simonetti, líder da Famiglia Bellunese da Renânia do Norte-Vestfália, entidade de longa data vinculada à ABM e composta principalmente por empresários do setor, também se manifestou. Ele defendeu que, “embora jornadas de trabalho extenuantes possam ter ocorrido no passado, a situação atual é completamente diferente”.

Simonetti assegurou que as empresas associadas operam dentro da legalidade. “Nossos funcionários são todos contratados legalmente, e nossas empresas estão sujeitas a fiscalizações constantes que garantem a proteção de seus direitos”, concluiu. (Da IstoÉ com ANSA)