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Tour de France-2020: análise do que ocorreu na prova maior do ciclismo

Blogueiro do L! analisa os pontos fortes e fracos e destaques do Tour de France, encerrado no domingo com a surpreendente (e merecida)  vitória do esloveno Tadej Pogacar

Tour de France-2020: análise do que ocorreu na prova maior do ciclismo

aos 21 anos

Vivemos em 2020 um ano atípico no calendário do ciclismo. Nenhuma prova está sendo em datas que costumam ser realizadas. E as provas colocadas numa sequência totalmente diferente que levaram décadas para serem ordenadas.

Com isso, a maioria das equipes colocaram o foco de seus principais ciclistas logo no Tour de France (que neste ano ocorreu antes do Giro da Itália) com receio de que a temporada pudesse voltar a parar e não tivessem como dar retorno para seus patrocinadores em 2020. Nem todos estavam em condições normais, mas o Tour de France largou com excelentes nomes e todos querendo algum resultado.

Todo “Grand Tour” de três semanas, assim que se encerra, pede uma análise. Ainda mais o maior deles Então vamos ao que interessa sobre este Tour de France-2020.

Os pontos altos: a batalha pela camisa verde; etapas de médias montanhas com muitas fugas; muitas jovens promessas se arriscando em fugas; e, obviamente, a reviravolta na última etapa.

Pontos baixos: poucas ações nas etapas de montanhas, principalmente depois da perda dos dois melhores e mais explosivos escaladores da edição do ano passado – o colombiano Egan Bernal (Ineos) e o francês Thibau Pinot (FDJ); As etapas nos Pirineus foram sonolentas e, infelizmente, as duas etapas desenhadas para ter vento cruzado e caos, não ventou.


O erro tático da Jumbo na Etapa 8

Existe muito debate sobre a tática da equipe Jumbo Visma ao longo das três semanas. Sou da opinião que a única etapa onde ela poderia ter feito diferente foi na oitava. A Jumbo foi para frente e apertou o ritmo. Foi queimando seus excelentes gregários, inclusive Tom Dumoulin. Quando o holandês tirou de lado, seu companheiro Primoz Roglic rateou , mas Tadej Pogacar, não. Ora, se o Roglic não iria atacar para que queimar a equipe inteira na ponta do pelotão? E pior, se ele não estava se sentindo 100% porque queimar as chances do Dumoulin tão candidato ao título quanto Roglic?

Se não queriam atacar, por qual motivo estavam com receio de pegar a camisa amarela “tão cedo”? Foi um erro. Se planejaram atacar, mas no meio da escalada da última montanha da etapa 8, Peyresourde, viram que não iria funcionar, os técnicos deveriam ter diminuído o ritmo para que Kuss ou Bennett – outros gregários – pudessem levar o pelotão. E assim, deixar Dumoulin guardado quando viessem os ataques dos favoritos.

Vamos lembrar que, até então, o camisa amarela era o Adam Yates e deveria ter ocorrido um trabalho da equipe Mitchelton na ponta do pelotão. Porém, foi a Jumbo que assumiu o pelotão nas últimas duas montanhas do dia dizimando os gregários da Mitchelton. Do jeito que foi só serviu para Pogacar – sem gregários de ponta – usar o “trem” da Jumbo como rampa de lançamento para seu ataque, isolar seu próprio capitão e destruir as opções táticas que poderiam ter com o Dumoulin, já que estava em quinto lugar na geral.

Pior do ponto de vista tático foi quando Pogacar atacou quem era, potencialmente, o maior adversário do Roglic até ali: o campeão de 2019 Egan Bernal, que ainda tinha como principal ajudante o campeão do Giro da Itália-2019, o equatoriano Richard Carapaz.

Aliás, foi Carapaz quem foi para a frente do pelotão dos favoritos e tentou neutralizar o ataque do Pogacar, já que a Jumbo não tinha mais gregários. Graças ao Carapaz a diferença foi de apenas 40s para o Pogacar. Porém, poderia ter sido para qualquer outro escalador que tivesse conseguido se aproveitar da raríssima chance de ter o Roglic isolado. Ou seja, independentemente de saber que o Pogacar estivesse numa forma galáctica, foi um erro tático. Poderia ter sido um dia que Bernal e Carapaz fizessem Roglic perder muito mais do que os 40s.

Tirando a etapa 8, não enxergo outro erro tático no Tour. Claro, a Jumbo poderia ter puxado mais nas altas montanhas. Porém, a essa altura, poderia arriscar uma implosão do Roglic no resto da duríssima terceira semana. Erro mesmo, não.

Rei da Montanha

O melhor escalador foi Tadej Pogacar. Merecidamente levou a camisa de bolinha e não falhou em nenhum tipo de montanha. Curta, empinada, longa, com altitude, com “gravel” (cascalho), em todas ele estava no mínimo perto da ponta, mas na maioria das vezes foi ele que iniciou os ataques.

Sprinters

A briga pela camisa verde foi ótima e deu uma apimentada em etapas que talvez fossem disputadas defensivamente caso o Sagan não tivesse perdido os pontos da punição na etapa em que terminou em segundo lugar. As equipe Bora e Quick-Step Deceunink travaram várias disputas no começo das etapas e a Sunweb foi sensacional em se aproveitar desse duelo. Saiu com quatro vitórias. Embora a equipe Jumbo seja uma maluquice, com tantos talentos, a Sunweb tem vários bons nomes. E conseguiu que fizesse um trabalho conjunto extremamente efetivo. Seja embalando Bol, seja quebrando a fuga para que um deles terminassem num ataque solo. O suíço Marc Hirschi finalmente despontou no pelotão PRO e Kragh Andersen parece voltar a boa forma. Sucesso absoluto!

O mais veloz sprinter foi o Caleb Ewan (australiano da Lotto), mas o Sam Bennett foi o mais regular além de ter o melhor embalador do mercado; Morkov. Disputa o status de melhor gregário com Caruso (Bahrain). Caruso, aliás, sempre esteve presente nas horas mais importantes para o espanhol Mikel Landa e ainda ficou em décimo na geral. Nos próximos dias ele estará a disposição do Vicenzo Nibali (o astro da equipe e que não foi para o Tour) no campeonato mundial. Esses dois são valiosos para qualquer equipe!

Van Aert, o cara

Se no ciclismo tivesse o prêmio de MVP como na NBA iria para o Wout Van Aert e sua capacidade de fazer de tudo. Inclusive ganhar duas etapas. Poderia ter tido pelo menos mais três etapas se não estivesse de guarda costas do Roglic. Bom no sprint, na fuga, como gregário e até no contrarrelógio.

Agora, o que foram aqueles últimos 5km do contrarrelógio??

La Planche de Belles Filles é uma montanha curta e empinada que tem seu uso recente no Tour de France. Quando usada como final em etapas normais sempre gera pequenas diferenças já que todos sobem em ritmo máximo até o topo. Nunca ninguém imaginou que ao colocarem num contrarrelógio seria parte do melhor final de um Tour de France em mais de 30 ou 40 anos.

Chapeau Pogacar!! Essa foi histórica..

Que venha o Mundial e, depois, o Giro

Não bastasse o Tour que tivemos na quinta-feira já teremos o mundial, que será transmitido ao vivo pelo SporTV, e no fim de semana seguinte já começa o Giro de Itália…

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