ISTOÉ 2016

Torben lamenta poluição na Baía de Guanabara: ‘Arena foi entregue cheia de lixo’

O coordenador-técnico da vela brasileira, Torben Grael, até tentou fugir do tema do lixo na Baía de Guanabara, uma das grandes preocupações dos velejadores para os Jogos do Rio. Mas, às vésperas do início da Olimpíada, ele voltou a lamentar a sujeira no mar.

“Nossa arena foi entregue cheia de lixo. Você tem de tentar evitar, mas nem sempre é possível. Tem lixo que fica à meia altura na água e que você não vê direito. Às vezes tem algo na divisa de maré e é difícil passar sem pegar alguma coisa. É esperar que tudo dê certo, como por acaso aconteceu nos dois últimos eventos-teste”, afirmou.

O coordenador chegou a dizer que não daria entrevista, caso esse fosse o único tema. “Vou falar sobre a equipe e sem não houver outro assunto eu não vou falar mais. A gente falou ostensivamente quando ainda era possível fazer alguma coisa. Agora é inútil falar de lixo”.

Ricardo Winicki, o Bimba, que compete na categoria RS:X, acredita que nenhum velejador vá competir sem procurar lixo na quilha. “Os plásticos pequenos prejudicam muito. Você está indo a 40 km/h, cai para 35 km/h e começa a olhar para a sua quilha: ‘tem lixo ou não tem?’. E a pior coisa é quando não tem lixo. Você para porque acha que tem um plástico, você perde tempo e ainda descobre que é você que estava lento, mesmo. E às vezes tem um canudinho, é tão mínimo, e atrapalha tanto”, afirma.

Bimba reconhece que a situação melhorou e já não se vê nas raias portas de geladeira, sofás e objetos grandes. “Mas a nossa arena, que é o mar, foi esquecida. O lixo é considerado um obstáculo como qualquer outro. É como bater num golfinho. Vai reclamar para quem? Se um dia chover muito e a baía estiver um caos, será mais um dia caótico nos últimos quatro anos. E todo mundo teve o seu dia caótico na baía. Em março de 2015, teve um dia que ninguém conseguiu treinar. E era lixo vindo das ruas do carnaval carioca. Não adianta só culpar o governo. Você que larga seu lixo na rua, não tenha dúvida: ele vai prender na nossa quilha”.

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Como o técnico, Kahena Kunze, que compete na classe 49erFX, evitou falar do lixo. “Esse assunto está tão batido. Tem muita coisa melhor para falar da preparação”. Já Martine Grael, sua parceira, foi direta: “Muito pouco foi feito. Não estou achando mais limpo. Está igual”.

A Secretaria do Estado do Ambiente informa que tem retirado 40 toneladas de sujeira da baía mensalmente. Nos dias de regatas, ecoboats ficarão ao redor das áreas de prova para retirar o lixo flutuante. O trabalho começará pela manhã, antes das regatas.

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