Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Se você possui uma conta ativa em alguma das principais redes sociais da atualidade já deve ter percebido a novidade: as fotos dos familiares e amigos sumiram e no lugar surgiram os vídeos curtos de desconhecidos. Duas grandes mudanças na interface tanto do Instagram como do Facebook têm sido alvo constante de reclamação dos usuários: a enxurrada de conteúdo feito por pessoas que você não acompanha e os vídeos em tela cheia, como são mostrados no TikTok. As críticas ao novo formato não vêm apenas de anônimos, mas também de influenciadores famosos como Kylie Jenner e Kim Kardashian, que compartilharam posts para que “o Instagram voltasse a ser Instagram de novo”.

O lema “Make Instagram great again” viralizou, ganhou mais de 1,6 milhão de curtidas e resultou em quase 140 mil assinaturas de uma petição. A comoção acabou fazendo com que o CEO da empresa, Adam Mosseri, se pronunciasse sobre o caso e até desse uma breve pausa na “tiktokização” da plataforma. Ele afirmou que as fotos vão continuar existindo, mas que o caminho para uma maior presença dos vídeos é inevitável. “Estou feliz que assumimos o risco, se não falharmos de vez em quando, não estamos pensando grande o suficiente, ousado o suficiente” disse sobre a qualidade das mudanças.

PODER Com 363 milhões de seguidores, Kylie Jenner é a segunda pessoa mais seguida do Instagram: ela criticou as mudanças (Crédito:Rich Fury/VF20/Getty Images for Vanity Fair)

Vale lembrar que da última vez que Kylie Jenner, a segunda pessoa mais seguida do Instagram, reclamou de uma rede social em público, a empresa em questão se tornou irrelevante. Em 2018, após dizer que não usava mais o Snapchat, o aplicativo perdeu US$ 1,3 bilhão na bolsa de valores, sendo esquecido pelo grande público apenas alguns meses depois da crítica da empresária. Para Mariana Musis, professora de Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o TikTok já está presente em diversas esferas da sociedade, como na indústria musical. “O problema não está só nas fotos, mas também nas músicas que precisam ter um refrão de 15 segundos para caber no formato do vídeo”, diz. Como o algoritmo das redes está cada vez mais afiado aos gostos do usuário, um ponto positivo dessa transformação é o fortalecimento do bom conteúdo. “Quem produz vídeos com qualidade vai ter um maior alcance”, diz Mariana. Será que vai funcionar?