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Todos contra Trump

Reunidos no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, mais de 70 líderes internacionais respondem às medidas protecionistas do presidente americano com um apelo em favor do livre comércio e do combate ao aquecimento global

Crédito: Brendan Smialowski

Na edição deste ano do Fórum Econômico Mundial, realizada desde o dia 23 em Davos, na Suíça, o mundo viu alguns dos principais líderes do planeta subirem ao palco para se posicionar contra o presidente americano Donald Trump. Críticas ao protecionismo comercial, à resistência em adotar medidas contra o aquecimento global e à política anti-imigração colocados em prática desde que Trump assumiu o governo dos Estados Unidos, há um ano, deram o tom dos discursos. Foi uma espécie de todos contra o presidente americano. E não poderia ter havido oportunidade melhor para o posicionamento. As reuniões em Davos reúnem tradicionalmente importantes chefes de Estado, empresários e representantes diplomáticos dos países que integram o Fórum. Em 2018, os mais de 70 líderes presentes decidiram responder prontamente ao endurecimento de posições antiglobalização demonstrado pela Casa Branca. Trump, primeiro líder americano a comparecer ao Fórum desde Bill Clinton, em 2000, fez questão de anunciar que usaria o Fórum para reafirmar suas políticas. Seu discurso era esperado para a sexta-feira 26.

No início da semana, antecipando-se ao que falaria na Suíça, Trump divulgou a implantação de tarifas de importação de até 50% para painéis solares e máquinas de lavar, sob a justificativa de impulsionar a indústria doméstica e assegurar seu compromisso com seu lema de campanha “America First” (América Primeiro). Antes mesmo de pisar em Davos, o terremoto Trump foi sentido com a chegada de sua tropa de choque, na quarta 24, deixando claro o que lá foram fazer. “Guerras comerciais são travadas todos os dias. Sempre há alguém quebrando tratados e tentando obter vantagens injustas”, afirmou Wilbur Ross, secretário de Comércio do governo americano. “A diferença é que agora as tropas americanas estão à frente.”

A mobilização contra Donald Trump começara com a fala do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na terça-feira 23. “O isolacionismo não é a solução”, afirmou. Quando chegou sua vez de ocupar o palco principal do encontro, a chanceler alemã, Angela Merkel, chamou de “veneno” o populismo e exortou a uma mudança urgente de mentalidade. “Promover o fechamento dos países não nos levará a um futuro melhor”, disse, no dia seguinte. “Se achamos que as coisas não são justas, que os mecanismos não são recíprocos, então temos que encontrar soluções multilaterais, e não unilaterais”, completou Merkel.

Considerada a maior líder europeia dos últimos anos, Merkel encontra-se nesse momento enfraquecida dentro do continente. Teve dificuldades para montar seu novo governo, após as eleições do final do ano passado, e vê pouco a pouco o fortalecimento do presidente da França, Emmanuel Macron, como representante do bloco europeu. Sensível ao momento, Macron aproveitou sua fala durante o encontro para fortalecer a imagem da França como um país sólido economicamente e que pretende retomar seu papel de importância histórica na geopolítica mundial. “A França está de volta”, disse Macron.

PROTESTO Xenofobia de Trump vira comentário em cartazes (Crédito:Arnd Wiegmann)

O presidente francês, no entanto, sintonizou seu discurso a favor da globalização  e do livre comércio com os princípios defendidos pela colega Merkel. Macron fez um apelo em nome do que chamou de “novo contrato mundial”: “Caso contrário, os extremistas vão vencer, dentro de dez ou quinze anos, em todos os países”, afirmou. Um pouco antes, o líder da França ironizou sobre as negativas de Donald Trump em aderir à medidas contra o aquecimento global. “Com essa quantidade de neve que caiu aqui, é difícil acreditar que exista o aquecimento global. Felizmente esse ano não convidaram ninguém que seja cético quanto à elevação da temperatura”, disse, provocando risos na plateia.

“Vamos nos opor a qualquer tipo de protecionismo. A abertura é crucial não apenas para a China, mas para o mundo todo” Liu He, conselheiro econômico do presidente chinês, Xi Jingping

Representante mais importante do bloco asiático, o presidente da China, Xi Jingping, foi outro a juntar-se nas respostas anti-Trump. Por meio de seu conselheiro econômico, Liu He, Jinping reassegurou a posição chinesa em defesa da abertura dos países ao comércio sem barreiras – algo que a China vem adotando gradual e moderadamente – e também da necessidade de conter o aquecimento do planeta. “Vamos nos opor a qualquer tipo de protecionismo. A abertura é crucial não apenas para a China, mas para o mundo todo”, afirmou Liu He.

RECADO Lideranças se valem do Fórum para firmar posições (Crédito:Divulgação)

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