Tite amarga nova demissão e vê sonho de trabalhar na Europa distante

Após apenas três meses e aproveitamento ruim, treinador é demitido da Raposa

Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Técnico Tite no duelo entre Cruzeiro x Corinthians, válido pelo Brasileirão 2026 Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A passagem de Tite pelo Cruzeiro chegou ao fim de forma melancólica na noite deste domingo, 15 de março. O empate por 3 a 3 contra o Vasco, em pleno Mineirão, foi a gota d’água para uma gestão técnica que, apesar do título estadual, jamais entregou a competitividade exigida pela diretoria e pela torcida. Com o time afundado na zona de rebaixamento, a demissão expõe não apenas a fragilidade do projeto mineiro, mas a acelerada desidratação do prestígio de um treinador que já foi unanimidade nacional.

O colapso em números e desempenho

  • Campanha desastrosa: Tite deixa o Cruzeiro na penúltima colocação do Brasileirão, com apenas uma vitória em seis jogos.
  • Queda de rendimento: O aproveitamento de 52,9% em Minas Gerais é significativamente inferior aos 64,8% registrados em sua passagem pelo Flamengo.
  • Crise de identidade: Mesmo com tempo de trabalho, o treinador não conseguiu dar padrão tático a um elenco que aspirava o G-4.

Uma queda livre sem precedentes

A demissão em Belo Horizonte marca o segundo fracasso consecutivo de Tite desde que deixou o comando da Seleção Brasileira após a Copa do Catar. Se no Flamengo a queda veio após 11 meses e uma eliminação na Libertadores, no Cruzeiro o ciclo foi interrompido com apenas 90 dias.

O vice-presidente do clube, Pedro Junio, foi direto ao selar o destino do técnico: “Não é digno do nosso torcedor a campanha que a gente vem fazendo”. A fala sintetiza o divórcio entre a expectativa de um “treinador de Copa” e a realidade de um time sem alma em campo.

O fantasma da Europa e a saúde mental

O isolamento de Tite após o ciclo da Seleção foi marcado por um hiato para tratar da saúde mental e crises de ansiedade. Durante esse período, o técnico recusou propostas de mercados periféricos (Grécia, Turquia e Oriente Médio) na esperança de um convite das grandes ligas europeias, como a Premier League.

O convite nunca veio. Ao aceitar o Flamengo e, posteriormente, o Cruzeiro, Tite tentou reafirmar sua relevância doméstica. Contudo, o novo insucesso praticamente sepulta as chances de uma incursão no primeiro escalão do futebol mundial a curto prazo.

Filipe Luís no radar

Enquanto Tite se cala, o Cruzeiro já movimenta o mercado. O nome de Filipe Luís, que curiosamente substituiu Tite no Flamengo e empilhou troféus antes de cair em março deste ano, surge como o favorito da cúpula mineira. A ironia do destino coloca os dois treinadores em uma dança de cadeiras que evidencia a instabilidade crônica do futebol brasileiro.

Com informações do Estadão Conteúdo