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“Tinha medo de ser julgado pela sexualidade”, diz Silvero Pereira sobre início da carreira

Crédito: Reprodução Instagram

O ator Silvero Pereira abriu o coração e falou sobre os preconceitos que viveu e vive por ser gay. Em entrevista à revista Quem, ele também contou algumas de suas dificuldades enfrentadas pelo preconceito da sociedade,

“Foi necessário. Se a minha luta o tempo todo é levar isso como bandeira, isso foi consequência. Admito o fato de ter casado isso, porque cavei essa imagem por muito tempo. Mas eu gostaria de chegar neste lugar em que possa cavar outras oportunidades. Que eu seja enxergue de outra forma, não só eu, mas os artistas que fazem parte da minha comunidade, que também não querem ser enxergados somente para estes papeis. Me sinto muito responsável. Se eu entrei na televisão por causa disso, é porque estou sendo responsável pela imagem que criei”, explicou Silvero para o veículo.

Ele, que começou sua carreira no teatro, Silvero admitiu que na época em que adentrou na TV, teve receio de ser julgado. “Tinha medo de ser julgado pela sexualidade. Ao entrar no set, sentia que tinha que provar algo mais por ser gay. De que eu não era ‘apenas gay’. De que se, alguma coisa desse errado, era porque a ‘bichinha’ que estava fazendo, porque essa ‘bichinha’ não tinha formação suficiente e o que ela tinha a oferecer era o fato de ser gay. Isso me preocupava muito. Não sei se era isso que as pessoas pensavam exatamente, mas era o que passava em minha cabeça sobre como as pessoas olhavam para mim”.

O artista admitiu, recente em suas redes sociais, que sofreu muito preconceito, desde a infância, pelo fato de ser homossexual. Questionado se sentiu-se receoso quando adentrou ao main stream, integrando elenco de novela do horário nobre, ele disse que sim.“Na verdade, senti duas coisas: Primeiro esse lugar de ser um ator de teatro chegando pela primeira vez no audiovisual. Senti muito medo de como as pessoas iam receber o meu trabalho por ser alguém que não entendia absolutamente nada sobre atuar em frente às câmeras, mas também todo esse lugar de ser uma figura assumida. Eu fiquei com medo de estar cavando uma caricatura do Silvero, de que as pessoas começassem a me enxergar apenas dessa forma, porque essa é uma coisa que o mercado tende a fazer”.

E continuou: “Super tem a ver, porque a nossa comunidade passa por isso o tempo inteiro, não só no meio artístico. É o fato de que tem que provar muito mais do que o heterossexual só por conta da sua sexualidade. Se você vai ser médico, maquiador, qualquer coisa, a primeira coisa que as pessoas tendem a dizer é ‘a bichinha’. É óbvio que eu levo isso ainda comigo de uma maneira não resolvida, de fato, porque passei por isso a vida inteira. Em todas as oportunidades que tentei construir, precisei ser superior à imagem da ‘bichinha’ que tentavam me colocar”.

Silvero Pereira concluiu dizendo seu desafio é chegar no público e mostrar além dos personagens com a temática LGBTQIA+. É se provar como artista completo.“Meu desafio hoje é fazer com que as pessoas me enxerguem como artista. Que a minha identidade sexual e a minha identidade pessoal não tenha nada a ver com a minha identidade artística. Se eu uso a arte hoje para falar sobre isso é porque tenho responsabilidade para que os outros não precisem passar pelo que passei. Nessa luta que a gente constrói, algumas pessoas precisam dar a cara a tapa e outras pessoas apenas usufruem da resposta dessas pessoas que apanharam. Eu me sinto essas pessoas que apanharam. Então, o meu grande desafio hoje é tentar construir gerações futuras que não precisam passar pelo que a gente passa hoje”.

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