Tinder, eu te amo

Face like, cool tweet., love me. I’ll only snapchat you, if you linked in me. Instagrame-me agora querida, partilhe-se já comigo. Dá bumble em mim como se não houvesse amanhã. Happn? Claro! Porque se apertar o “x não vai dar match!

Hoje não há bicho careta, empresa ou pessoa que não tenha um perfil, ou mesmo dois, uma página ou mesmo duas, álbum de capa e dez mil fotografias no celular. Hoje todo o mundo está na net partilhando a vida com o resto dos passageiros digitais, gerindo comunidades, catando amigos, aumentando a rede, sendo globais! Mas será que a gente vive mesmo?

As mídias sociais têm todos os ingredientes para não discutir a relação: movimento, disponibilidade, alegria, obediência (é verdade, dá para desligar de você quiser) veneração, patriotismo, amizade e companheirismo — um rol de qualidades quase sem fim. Mas a melhor é o Tinder.

Namorar no Tinder é uma delícia. As conversas são lindas, intermináveis e sem bafo. Todo os parceir@s são belos, cheios de sentido de humor e vivem em lugares fresquinhos e bem iluminados.

Todo o dia tem eventos em muitas geografias, a gente vai sem ir a Nova Iorque, promete não faltar em Paris, ninguém te culpa em Floripa, ninguém repara e Manaus, ninguém se atrasa em Lisboa. É a sustentável leveza do ser.

Nem Milan Kundera, explorando a incoerência das ações do ser humano tendo por base as suas motivações obscuras, poderia conseguir melhores resultados que um tweet cínico na hora dos Jornal Nacional.

Nenhuma explicação para o sentido que a vida tem condições para competir com uma foto ousada no Happn ou no Instagram.

Hoje, o amor libertino entre Teresa e Tomás —  a história analógica da mulher que trai apenas por prazer e do cara que nunca consegue materializar seus ideais — tem metade da força de uma troca de “mensagens” no Tinder.

Será que conhecer pessoas de carne e osso, ou ir a sítios de verdade tá démodé?

Agora, muitos jovens guardam seus melhores amigos na rede. Nunca os viram em carne e osso, nunca lhes sentiram a força de um abraço ou a carícia de um beijo. Mas são seus melhores. O mundo mudou com a internet. E o amor mudou no Tinder.

Que saudades gente! daquele tempo em que para jogar futebol era preciso ter bola, para segurar na mão precisava o escurinho no cinema; e para dar beijo era mesmo obrigatório ter boca.

 

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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