Edição nº2552 15/11 Ver edições anteriores

The trumpmade tale

Séries de tevê são o novo cinema.

Aos poucos, a indústria do entretenimento está descobrindo que pode ganhar muito dinheiro com um formato inovador: a novela.

Afinal, não há nada melhor do que, ao invés de sair de casa para assistir à uma história de irrisórias duas horas de duração, passar 18 horas seguidas vegetando na frente de uma tevê.

E isso se for apenas uma temporada!

Uma maratona Breaking Bad, por exemplo, é capaz de arrancar toda energia do seu organismo e deixá-lo catatônico, largado num sofá por semanas.

Pois uma das séries de maior sucesso no mundo, hoje, é essa aí do título.

Não é muito conhecida no Brasil.

Se você não acompanha, vou contar os pontos principais.

A premissa vai soar meio absurda.

Se passa num futuro próximo.

Os Estados Unidos deixaram de ser uma democracia.

A nação que por séculos foi conhecida como a terra da oportunidade e liberdade, foi tomada por uma nova ordem.

Ao longo dos episódios você entende que o primeiro sinal foi a eleição de um presidente completamente louco.

Duro de engolir esse roteiro.

Um sujeito sem nenhuma estabilidade emocional não conseguiria ser eleito numa potência como os Estados Unidos.

Mas, enfim, é uma série. Vamos dar um desconto.

Talvez seja justamente esse tipo de nonsense que acaba por atrair grande audiência.

Pois bem.

Uma vez eleito o sujeito pira de vez.

Resolve construir um muro separando os Estados Unidos do México.

Virou comédia, pensei, achando que fosse para os americanos não fugirem do país.

Mas não. Era para bloquear a entrada dos mexicanos mesmo.

E suas demonstrações de xenofobia não pararam por aí.

Em outro episódio, proibiu a entrada no país de quem tinha origem muçulmana. Depois separou filhos dos pais imigrantes ilegais, enfim, uma maluquice que, contada assim, parece impossível de se acreditar, mas com aquela produção hollywoodiana, você vai se envolvendo tanto que depois de um tempo nada mais parece estranho.

A série é um drama/terror mas também tem algumas tiradas de humor (spoiler alert) como, por exemplo, o fato de o presidente governar pelo Twitter.

Não é como um presidente padrão, desses que se encontram com empresários na garagem de casa no meio da noite.

Não. Esse governa descaradamente pela rede social, sem nenhum constrangimento.

No episódio dessa semana mandou um twit para o presidente do Irã, ameaçando dizimar o país.

Hilário.

Ao longo dessa temporada você vai percebendo que o presidente, como bom egocêntrico, tem o hábito de demitir quem o contradiga.

Demite assim, sumariamente e pronto.

E o faz publicamente, sem nem sequer apresentar explicações razoáveis.

Estou na parte que os americanos finalmente começaram a perceber que o sujeito não bate bem da cabeça e desconfiam que ele queira se perpetuar no poder, tipo um Zé Dirceu.

A série tem ainda uma subtrama intrigante.

Ao contrário da obviedade que seria se os roteiristas fizessem o presidente declarar guerra à Russia, desde o início existe uma suspeita de que, na verdade, ele e o presidente russo são aliados.

Quando sugeriram isso eu quase desliguei a televisão.

Tem limite para tudo.

Mas a verdade é que eu e milhões de espectadores pelo mundo estamos colados na tela esperando os episódios diários.

Porque essa série é diária. E as vezes tem até um segundo capítulo surpresa no dia.

Fica a dica aqui para os produtores de tevê no Brasil.

Quem sabe uma série com uma premissa ridícula não pegue por aqui também?

Sei lá.

Quem sabe uma série onde um grupo de psicopatas tenta reeleger um ex-presidente que está preso?


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