A revista britânica “The Economist” exibiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na capa da publicação desta semana e afirmou em artigo que o Brasil está dando uma “lição de maturidade democrática” com o julgamento do ex-chefe do Executivo, que começa no dia 2 de setembro no STF (Supremo Tribunal Federal).
A publicação, que chega às bancas nesta quinta-feira, 28, afirmou: “O Brasil oferece uma lição de democracia para uma América que está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária”.
Prestes a ser julgado por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente, que está em prisão domiciliar por descumprimento de medidas restritivas, foi retratado com as cores do Brasil e com u chapéu igual ao que usava o “viking do Capitólio”, um dos apoiadores de Donald Trump que invadiu o Congresso americano no dia 6 de janeiro de 2021.
O The Economist ainda ressaltou que o julgamento de Bolsonaro pode ser um teste de como outros países podem se recuperar de uma “febre populista”.
Intitulado de “polarizador” e “Trump dos trópicos”, segundo a publicação, o ex-presidente e “seus aliados, provavelmente, serão considerados culpados” pela Suprema Corte, e ressaltou que “o golpe fracassou por incompetência, e não por intenção”.
A revista ainda afirmou que a reação do STF à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro de 2023, é reflexo de uma memória ainda viva do golpe militar de 1964 e o Brasil conseguiu restaurar a democracia com a Constituição de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”.
Em outro ponto, a publicação menciona as pesquisas de opinião que indicam que, para a maioria dos brasileiros, Bolsonaro tentou um golpe para se manter no poder após perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva. E também critica governadores conservadores que buscam apoio no ex-presidente para concorrer à Presidência da República no pleito de 2026.
“Ao contrário de seus colegas nos Estados Unidos, muitos dos políticos tradicionais do Brasil, de todos os partidos, querem seguir as regras e progredir por meio de reformas. Essas são as marcas da maturidade política. Pelo menos temporariamente, o papel do adulto democrático do hemisfério ocidental mudou para o sul”, finalizou.