A perda de peso de Thais Carla, 34 anos, voltou a chamar a atenção do público, após chegar aos 115 kg. A influenciadora, que chegou a pesar 200 kg, eliminou mais de 80 pontos na balança após a realização da cirurgia bariátrica, em abril do ano passado.
Em recente entrevista, a bailarina contou que a falta de acessibilidade foi um dos fatores que a fizeram mudar de vida, e que agora se sente mais livre após a operação.
“Daquelas coisas inacessíveis que o meu corpo não podia ter, eu comecei a ter. Não ficar preocupada se eu vou no parque de diversões e vou poder brincar ou não. Não ficar preocupada se vou ao restaurante. É uma sensação mais de liberdade, eu não sei explicar. Antigamente eu tinha que, às vezes, ficar verificando se meu corpo cabia naquele ambiente”, confessou a influenciadora.
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Após realização da cirurgia, Thais passou a adotar uma rotina de alimentação saudável e exercícios. Para especialistas ouvidos por IstoÉ Gente, mais do que o procedimento em si, no pós-bariátrica, são as escolhas diárias relacionadas à alimentação, ao movimento e ao autocuidado que determinam a manutenção dos resultados ao longo do tempo.
A combinação entre dieta equilibrada, exercícios físicos regulares, sono de qualidade e acompanhamento multiprofissional é o que permite uma perda de peso saudável, sustentável e associada a ganhos reais de saúde e funcionalidade.
De acordo com o *Dr. Murillo Monteiro, médico nutrólogo e cofundador do Instituto Mutare, a perda de peso duradoura depende de uma abordagem multifatorial. “As diretrizes internacionais deixam claro que alimentação com boa densidade nutricional, ingestão proteica adequada, prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força, sono e controle do estresse são pilares fundamentais. Preservar a massa muscular é decisivo para evitar a queda do metabolismo e o reganho de peso”, explica.
O especialista também diferencia o emagrecimento rápido do saudável. “Perdas muito aceleradas costumam estar associadas a dietas restritivas, com risco de perda de massa muscular, deficiências nutricionais, alterações hormonais e efeito rebote. O emagrecimento saudável prioriza a perda de gordura, preserva a massa magra e melhora parâmetros metabólicos. Quando não há acompanhamento, os riscos incluem sarcopenia, anemia, osteopenia e compulsão alimentar”, alerta.
O Dr. lembra, ainda, que a cirurgia bariátrica tem indicações bem definidas. “Ela é recomendada para casos de obesidade grave, considerando não apenas o IMC, mas também a presença de comorbidades, o histórico de tratamentos prévios e a capacidade de adesão ao seguimento de longo prazo. A cirurgia não é um tratamento isolado, mas parte de uma estratégia contínua no manejo da obesidade”, afirma.
O profissional orienta que, no pós-operatório, a dieta precisa ser cuidadosamente estruturada, com foco em proteínas de alto valor biológico e monitoramento constante de micronutrientes como ferro, vitamina B12, cálcio e vitamina D.
Já no campo da atividade física, o educador físico **Luiz Fernando Lukas destaca que o exercício é um dos principais fatores de proteção metabólica após grandes perdas de peso. “Após a bariátrica ou uma perda significativa, o treino deve começar de forma progressiva e sempre com liberação médica. O foco inicial é o fortalecimento muscular básico, a mobilidade e a readaptação do corpo à nova realidade”, explica.
Segundo o especialista, a frequência ideal para manter a perda de peso gira entre três e cinco sessões semanais. “A musculação pode ser feita de duas a quatro vezes por semana, e os exercícios cardiovasculares, de duas a três. O mais importante nesse momento não é a intensidade, mas a consistência. É a regularidade ao longo dos meses que garante a manutenção do peso”, afirma.
O educador físico alerta que a interrupção do treino pode favorecer o reganho. “Quando a pessoa para de se exercitar, há redução do gasto calórico e da massa muscular, o que diminui a taxa metabólica basal. O exercício funciona como uma proteção metabólica, independentemente de a pessoa ter feito bariátrica ou não”, diz.
Para acelerar o metabolismo após grande perda de peso, Luiz Fernando destaca três pilares: musculação, alimentação rica em proteínas e sono regulado, além do movimento diário. “Qualquer movimento conta. Caminhar, fazer tarefas domésticas, se manter ativo no dia a dia também gera gasto calórico”, reforça.
O educador físico ressalta ainda que o exercício ajuda a reduzir a flacidez, embora não faça milagres sozinho. “O ganho de massa muscular melhora a firmeza da pele e o resultado estético, mas o excesso de pele, quando existe indicação, só é resolvido cirurgicamente. Ainda assim, quem treina tem resultados muito melhores”, afirma.
Por fim, o especialista chama a atenção para a necessidade de adaptar o treino à nova realidade corporal. “Após grandes perdas de peso, o corpo muda completamente. É preciso reaprender movimentos simples, respeitar articulações e limites atuais e trabalhar força antes de performance. O foco deve ser treinar o corpo que se tem hoje, com inteligência e sem pressa”, conclui.
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