Cultura

Terror à brasileira

Baseada no livro “Bom dia, Verônica”, produção da Netflix traz a caçada de uma escrivã de polícia a um serial killer

Crédito: SUZANNA TIERIE/NETFLIX

CORAGEM Tainá Muller como Verônica: personagem é defensora da luta contra o feminicídio (Crédito: SUZANNA TIERIE/NETFLIX)

SUSPENSE Eduardo Moscovis e Camila Morgado: elenco afiado e elementos de brasilidade (Crédito:SUZANNA TIERIE/NETFLIX)

A série “Bom dia, Verônica” já trazia um mistério antes mesmo de a primeira cena ser filmada. O livro homônimo que deu origem à trama exibia na capa um nome misterioso: Andrea Killmore. O sucesso e a falta de informações sobre a identidade do autor provocaram o interesse dos fãs. A resposta veio pelas redes sociais: uma leitora divulgou que havia suspeitado do estilo de dois nomes: o escritor Raphael Montes e a criminologista Ilana Casoy. Na mosca.

A produção da Netflix chega à plataforma em 1º de outubro, quatro anos após o lançamento do livro pela Darkside, editora com foco no suspense. “Parcerias entre autores são raras no nosso mercado editorial, mas de enorme valor profissional e criativo para os envolvidos”, afirma Christiano Menezes, fundador da Darkside. O DNA investigativo da série também está presente atrás das câmeras: a direção é de José Henrique Fonseca, filho do escritor Rubem Fonseca, mestre do romance policial brasileiro.

Verônica é escrivã de uma Delegacia de Homicídios em São Paulo. Após presenciar um suicídio, ela investiga a relação da vítima com um golpista que escolhia as mulheres em um aplicativo de relacionamentos. Em paralelo, a policial é abordada pela esposa desesperada de um serial killer. Aos poucos, a vida da protagonista e de sua família também passam a correr riscos.

A atriz Tainá Muller, que interpreta Verônica, diz que a temática da série foi um dos elementos que a atraíram ao projeto. “Me interesso pela luta das mulheres contra a violência no Brasil. Ao viver essa complexa personagem, a série me ofereceu a possibilidade de abordar o assunto e fazer uma preparação inédita”, diz Tainá. “Fui muito exigida fisicamente, fiz treinamento de lutas, tudo muito distante da minha realidade.” Apesar do aumento no número de protagonistas femininas em produções brasileiras, a atriz acredita que o equilíbrio ainda está distante: “Esse é um caminho aberto há pouco tempo. Quando comecei, há 15 anos, já havia mulheres protagonistas, mas era bem diferente. Elas eram mais objetos do que sujeitos de suas ações. Enquanto os personagens masculinos eram fortes e complexos, a mulher fazia papel de musa, algo mais periférico, intelectualmente falando.”

PARCERIA Raphael Montes e Ilana Casoy: caso Nardoni à vista (Crédito:SUZANNA TIERIE/NETFLIX)

Dupla literária

“Sempre gostei de thrillers, mas não quis cair na cilada de imitar os americanos. Me apeguei ao livro para manter a brasilidade da trama” Tainá Muller, atriz (Crédito:Divulgação)

Na preparação para o papel, Tainá visitou delegacias em São Paulo e no Rio de Janeiro, conversou com escrivãs e acompanhou o trabalho de peritos em feminicídio. “Aprendi muito nessa fase de pesquisa. Se eu não tivesse vivido essas experiências, não conseguiria trazer veracidade à personagem.” A atriz revela que optou por não buscar inspiração em séries estrangeiras. “Sempre gostei de thrillers, mas preferi não vê-los durante a preparação para o papel para não cair na cilada de imitar os americanos. Me apeguei ao livro para manter a brasilidade da trama.”

A parceria entre os autores e roteiristas nasceu do convite de Raphael Montes a Ilana Casoy feito durante um festival literário. “Queria unir meu gosto por contar histórias ao conhecimento dela como criminologista. Ela topou o desafio”, lembra Raphael. “Achava que seria difícil escrever com um parceiro, mas aceitei porque houve uma comunhão de objetivos e ideias. A gente briga, claro, mas também sabe fazer as pazes”, diz Ilana. Eles contam que assinaram o livro com o pseudônimo como brincadeira, mas depois a ideia acabou virando um jogo com os leitores. “Foi um caminho interessante e divertido, mas com prazo de validade. Queríamos brincar com o leitor, não enganá-lo”, afirma Ilana.

Segundo Raphael, a adaptação do livro para a série foi longa e trabalhosa, mas o resultado foi positivo porque a dupla pode participar de todo o processo criativo. O autor garante que a parceria continuará gerando novos frutos. “Queremos manter a individualidade, mas planejamos fazer cada vez mais projetos juntos.” A dupla assinou o roteiro de “A menina que matou os pais”, filme dirigido por Maurício Eça sobre o caso Suzane Von Richtofen, e revela que já trabalha em um projeto sobre o caso Isabella Nardoni. Segundo Raphael, há ainda planos para dar sequência à série, uma vez que eles não pretendem abandonar a “primogênita” da dupla literária. “Verônica ainda tem muitas histórias para contar”.

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