São Paulo, 24 – A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou nesta segunda-feira (23) que o acordo de comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) representa um marco histórico, mas destacou que o verdadeiro desafio estará na implementação e na capacidade de o Brasil de transformar o tratado em ganhos concretos para a economia.
“O verdadeiro teste de um acordo não está na sua assinatura, mas na sua execução”, disse, durante o Seminário A Geopolítica do Agronegócio, promovido pelo escritório Modesto Carvalhosa Kuyven e Ronco Advogados, em São Paulo. Ela defendeu que os benefícios não serão automáticos e dependerão de políticas públicas e coordenação institucional. “Em última análise, o sucesso do acordo será medido por resultados tangíveis. Mais investimentos, mais produtividade, mais emprego, mais renda”, disse.
A senadora ressaltou que a operacionalização do acordo exigirá articulação entre governo e setor produtivo, com medidas que vão desde adaptação regulatória até investimentos em infraestrutura e redução de custos logísticos. “Implementar um acordo dessa magnitude exige coordenação contínua entre Estado e o setor produtivo”, afirmou.
Para Tereza Cristina, o tratado vai além da redução tarifária e estabelece um novo patamar de integração econômica. Ela também avaliou que o acordo pode ser um dos últimos grandes exemplos de negociações comerciais amplas no modelo tradicional. “Talvez represente uma das últimas grandes expressões de um paradigma de negociação internacional baseado em processos longos, técnicos e estruturados”, afirmou, ao mencionar a transição para um cenário global mais fragmentado e menos previsível.
Nesse contexto, a senadora destacou que acordos amplos, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, tendem a se tornar mais raros e, por isso, aumentam a responsabilidade do Brasil. “Não basta celebrar o acordo. É necessário defendê-lo, operacionalizá-lo e extrair dele o máximo dos seus benefícios”, disse.
Ela alertou, no entanto, que alguns setores mais expostos à concorrência internacional precisarão de políticas de transição, citando cadeias como lácteos e de vinhos como exemplos de segmentos que podem enfrentar desafios. Em contrapartida, Tereza Cristina apontou oportunidades relevantes, como a agregação de valor e a diversificação das exportações. “Abre-se espaço para agregação de valor, diversificação exportadora e inserção em cadeias globais mais sofisticadas”, disse.
Entre os instrumentos previstos no acordo, ela destacou a proteção de indicações geográficas e a redução de custos de importação de insumos e bens de capital, além da ampliação do comércio de serviços e investimentos. “A abertura em serviços e investimentos tende a ampliar fluxos de tecnologia e inovação”, afirmou.