A terapia da agulha
Os bordados de tricô e crochê voltaram à moda como hobby, remédio contra o estresse e até oportunidades de negócios para pessoas de todas as idades
DIVERSÃO Ana Yamaoka: “se não presto atenção, esqueço do mundo” (Crédito: Felipe Gabriel)
No passado, a tarefa de aprender a bordar era exclusiva de algumas “mulheres prendadas”, que se dedicavam a aprimorar essa qualidade essencial para quem desejava ser uma “boa esposa”. O mundo mudou e esse conceito ficou congelado no passado, mas o hábito em si, não: o bordado, o crochê e o tricô ganharam a indústria da moda, deixaram o sexismo de lado e atualmente são sinônimos de bem estar emocional para pessoas de todos os gêneros e idades.
“Comecei a postar vídeos quando ainda nem era possível ganhar dinheiro com o Youtube. Hoje tenho mais de meio milhão de inscritos no meu canal”, comemora Daísma Vaz, influenciadora digital conhecida como “Day Vaz” nas redes sociais. Prestes a lançar um aplicativo para celular voltado para o ensino de técnicas de tricô e bordado, ela garante que seu público é cada vez mais jovem e diversificado. “Tenho interessados dos 12 aos 65 anos.”

e viciante” Caroline Weiss, artesã e empresária (Crédito:Divulgação)
É o caso da artesã e empresária Caroline Weiss. Após trabalhar no setor de marketing de uma empresa de fios, descobriu no crochê uma vocação que acabou virando negócio próprio. “Decidi aprender para conhecer melhor o produto da minha empresa e não parei mais. É terapêutico e viciante”, diz. Caroline acredita que existe uma nova percepção sobre o trabalho manual e o artesanato. Visto até pouco tempo como uma coisa ultrapassada, passou a ser considerdo algo moderno e divertido. “Você começa com um ponto simples e aos poucos vai aprendendo técnicas mais complexas. É um trabalho permanente da habilidade, como em um jogo de videogame”, compara. Durante a pandemia, Caroline abriu uma loja virtual com peças de decoração sob medida – todas produzidas por ela.
Paixão
A aposentada Ana Yamaoka nunca foi obrigada a aprender a costurar: para ela, o crochê é uma paixão. No final de 2019, aos 53 anos, fez um curso durante o isolamento e bordou centenas de “quadradinhos”, estampas que vão se transformar em uma colcha repleta de detalhes. “Trabalho no meu cantinho aqui em casa e, se não presto atenção, esqueço do mundo. O tempo passa e você não vê.” Ela se matriculou em diversos cursos ao longo da vida, mas foi manuseando as agulhas que ela encontrou sua atividade favorita. “Sou apaixonada pelo crochê. Todos deveriam aprender”, recomenda. E garante que ninguém vai se arrepender. “É um caminho sem volta.”
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