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Tentativa de destituir presidente gera incerteza no Peru, diz ministro

Tentativa de destituir presidente gera incerteza no Peru, diz ministro

Apoiadores do presidente peruano, Pedro Castillo, protestam do lado de fora do Congresso, em Lima, contra a moção de vacância apresentada contra o mandatário, em 25 de novembro de 2021 - AFP


A incerteza política ameaçará o Peru por duas semanas, até que o Congresso vote a admissão ao debate em plenário do pedido de destituição do presidente Pedro Castillo, uma discussão marcada para 7 de dezembro, disse nesta sexta-feira (26) o ministro da Economia, Pedro Francke.

“A incerteza sempre é um fator que tende a prejudicar os investimentos e, quando se apresenta uma moção de vacância, isso gera uma situação de incerteza, de fragilidade institucional”, declarou Francke à radio RPP.

“Esta situação de vacância gera uma instabilidade que é negativa para o país”, acrescentou.

Por sua vez, a vice-presidente, Dina Boluarte, tachou de “golpe de Estado” a iniciativa de destituir Castillo. “Não ao golpe de Estado no Congresso”, disse Boluarte aos jornalistas. Caso o Congresso decida pela destituição do presidente, ela ficaria encarregada de assumir seu cargo.

Legisladores de três partidos de direita deram na quinta-feira o primeiro passo de um complexo mecanismo constitucional para remover Castillo, que tem apenas quatro meses no poder, após apresentar no Parlamento uma moção de “vacância”, alegando “incapacidade moral” do presidente para exercer suas funções.

Contudo, sua admissão para debate em plenário não está garantida, pois é preciso que 40% dos legisladores presentes aprovem a medida. Para remover o presidente, são necessários 87 votos de um total de 130 congressistas.

A moção foi assinada por parlamentares dos partidos Avança País, Força Popular e Renovação Popular, que representam um terço do Parlamento.

A possível destituição de Castillo vem sendo cogitada desde o dia seguinte à sua eleição, quando os partidos de direita denunciaram que houve fraude eleitoral, apesar do aval dado aos resultados pelas autoridades eleitorais e pelos observadores da OEA e da União Europeia.

Contudo, os congressistas que promovem a moção parecem saber que não têm os votos suficientes para debater sua proposta na sessão programada para 7 de dezembro.

“Temos 14 dias para trabalhar nesses votos”, disse aos jornalistas Patricia Chirinos, do Avança País, que lançou o economista Hernando De Soto como candidato presidencial nas eleições deste ano.

A legenda de extrema-direita Renovação Popular também apoia a destituição de Castillo, e convocou uma manifestação para este sábado.


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