Tensão no governo pode adiar decisão sobre retomada na Itália

ROMA, 8 JAN (ANSA) – O Conselho de Ministros, liderado pelo primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, realizado nesta sexta-feira (8) para debater o plano de recuperação da economia do país pós-pandemia deve ser adiado para a próxima terça-feira (12) após tensão dentro da base aliada.   

Durante a cúpula no Palazzo Chigi, em Roma, os membros do Itália Viva (IV), partido do ex-premiê Matteo Renzi que é crucial para a sobrevivência do governo nacional, pediu para ter detalhes completos do plano atual, que prevê mais de 222 bilhões de euros para a retomada econômica, apoiando um adiamento da decisão.   

O confronto teria sido protagonizado pelo ministro da Economia, Roberto Gualtieri, acusado de ter feito “provocações políticas”, e pelo líder do IV no Senado, Davide Faraone, que começou a criticar os projetos recebidos.   

De acordo com relatos, a tensão foi potencializada após o governo ter movimentado recursos no esboço, cancelando alguns planos com a marca do IV.   

Conte chegou a afirmar que o plano de recuperação não pode ser uma ferramenta para definir todas as questões em aberto e “o país não pode se dar ao luxo de atrasar o plano de recuperação porque isso comprometeria a retomada e seria imperdoável para os cidadãos”.   

Renzi, por sua vez, alegou não querer retardar o processo, mas enfatizou que quer ler “o texto real primeiro e depois avalia-lo”. “Não diga que queremos retardar a recuperação .   

Está tudo bem para nós irmos ao Conselho de Ministros na segunda, terça, quarta-feira, quando você quiser. Deixe-nos ler o texto real primeiro e iremos avaliá-lo em 24 horas. Não se perca outra vez”, rebateu o líder do IV.   

O plano de recuperação pós-pandemia é um dos motivos pela troca de farpas entre Conte e Renzi desde o início de dezembro, quando surgiram divergências sobre as medidas sanitárias que deveriam ser adotadas no país e sobre a Lei de Orçamento aprovada no fim do mês passado.   

Para acalmar as reclamações de Renzi, Conte alterou o rascunho do plano, na tentativa de atender alguns dos questionamentos do IV, o que não tem sido suficiente para amenizar a tensão.   

O Partido Democrático (PD), o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a coalizão Livres e Iguais (LeU) teriam pedido ao atual primeiro-ministro que convocasse um novo Conselho de Ministros o mais rapidamente possível para o lançamento do texto completo do plano de recuperação.   

O desejo do Itália Viva, a princípio, seria o mesmo – uma reunião mais aprofundada. No entanto, a chefe da delegação e ministra da Agricultura, Teresa Bellanova, teria anunciado que seu partido não precisa mais de tal cúpula.   

“O primeiro-ministro deve lembrar que essa experiência chegou ao fim e dizer se todos somos capazes de começar de novo. O tempo acabou para mim. Agora precisamos de respostas. Há meses que pedimos um acordo programático porque não podemos prosseguir com um decreto por semana”, disse ela. (ANSA)