Tenha um pingo de vergonha nessa cara e renuncie, Jair Bolsonaro

Crédito: Clauber Cleber Caetano/PR

(Crédito: Clauber Cleber Caetano/PR)

Como qualquer maldito político dessa estirpe, Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, irá se manifestar sobre a prisão de seu ex-ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, de forma protocolar e evasiva. Dirá que não é possível saber e controlar tudo, e que, como diria Dilma Rousseff, malfeitos – aforismo para crimes – têm de ser investigados, e os responsáveis – aforismo para criminosos – punidos. Argh! Como repudio essa gente.

Porém, o amigão do Queiroz se esquecerá que foi ele mesmo quem empenhou ampla, geral e irrestrita confiança na honestidade e honradez do pastor: ‘se o Milton estivesse armando, não teria colocado na agenda aberta ao público. O Milton, eu boto minha cara no fogo por ele. Estão fazendo uma covardia’. Eis o senhor presidente da República, em maio do ano passado, quando seu honrado ministro caiu.


Mas não só: Bolsonaro emporcalhou o Ministério da Educação com figuras como Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub. Ribeiro foi o quarto nomeado para a Pasta. Houve interino que não trabalhou (Antonio Paulo Vogel) e até nomeado que não assumiu (Carlos Decotelli). Não, meus caros, o Brasil não se encontra neste estado lastimável à toa, não. É fruto de muito esforço do devoto da cloroquina e sua gente.

Contudo, há um fato ainda muito mais grave – e agravante! Milton Ribeiro, com todas as letras, em depoimento à Polícia Federal, em março deste ano, afirmou que: ‘apenas obedeço às ordens do presidente’. O depoimento ocorreu em meio às denúncias de corrupção e favorecimento a pastores amigos de Bolsonaro, envolvendo o repasse de verbas do Ministério da Educação a municípios por eles indicados.

Acabou? Não, meus caros e caras, não acabou, não. A primeira-dama Michelle Bolsonaro também saiu em defesa, à época, de seu amigo-pastor: ‘eu posso dizer que amo a vida dele, tá?! Deus provaria que é uma pessoa honesta’. Aliás, até hoje não sabemos a razão dos 90 mil reais em cheques, depositados por um casal ligado às milícias cariocas, em sua conta corrente, o que motivou o apelido popular ‘Micheque’.

O patriarca do clã das rachadinhas não se arrepende nem se envergonha de nada, eu sei. Disse que prefere um filho morto a um filho gay; que um negro não servia nem para reproduzir; que uma deputada não merecia ser estuprada por ser muito feia; comparou um outro (negro) a animais de corte, pesado em arrobas; lamentou o não-extermínio dos índios brasileiros. Por que diabos iria se importar com o que disse sobre Ribeiro, certo?

Ainda assim, na vã esperança de um surto psicótico ao contrário, rogo para que Bolsonaro tenha um mínimo de hombridade, faça jus à autoproclamada virilidade e simplesmente, imorrível ou não, imbrochável ou não, incomível ou não, olhe-se no espelho e, ao enxergar tamanha triste figura, renuncie imediatamente e dê um pouco de sossego ao País. Ninguém aguenta mais esse Brasil acima de tudo, Bolsonaro e Pastor Ribeiro acima de todos. Chega!






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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