Tenha um mínimo de pudor e amor próprio, sr. Caio Coppolla

Crédito: Reprodução/CNN Brasil

(Crédito: Reprodução/CNN Brasil)


A massificação da internet e das redes sociais alterou de maneira estupenda a forma com que as notícias são transmitidas, as opiniões publicadas e o debate praticado. E ainda que, uma parcela significativa disso seja dedicada ao ódio, às fake news e a conteúdos sem valor – além de espaço para ofensas gratuitas -, o resultado é extremamente positivo.

Sou de uma geração híbrida: meio analógica, meio digital. Escutei músicas em vinil e as escuto no Spotify. Viajei pelo mundo me socorrendo nos mapas e hoje viajo com o Waze. Me comunico através dos meus textos, mas não deixo de visitar o Youtube em busca de vídeos, nos canais interessantes de debate político, no formato destes tempos.

É impressionante, inclusive, a audiência que muitos deles possuem, não raro, superior à de muitos profissionais conceituados da mídia tradicional. E se a ‘treta’ rende, fazem muito bem em alimentá-la. Desde que, é claro, de uma forma intelectualmente honesta e produtiva à sociedade. Do contrário, torna-se apenas palco de aluguel e entretenimento baratos.

NANDO MOURA

Dias atrás, me enviaram um vídeo do canal do Nando Moura. Como disse, sou de uma geração híbrida, e não o conhecia apesar de toda sua influência nas redes. É que escuto nomes, como o de Felipe Neto, e não sei quem são, pois somos de planetas diferentes. E ao assistir ao vídeo em que comenta uma coluna minha, da IstoÉ, me interessei por este ‘novo’ mundo.

A juventude dessa turma é uma lufada de ar fresco em meio à velharia mofada da análise política tradicional. Eu, com os meus 54 anos, prefiro ler o Merval, mas as gerações mais novas, não. E se vídeos, podcasts, cortes, entrevistas etc. servirem como fonte de informação, desde que honesta e verdadeira, tanto melhor. Ainda que, aqui e ali, existam as más fontes. É do jogo.

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De uma forma própria, Nando dá o seu recado sobre o que quer e como quer. E é de uma coragem admirável nestes tempos de patrulha ideológica – seja lulopetista ou bolsonarista. Foi através dele que fiquei sabendo do debate ocorrido entre Caio Coppolla e Kim Kataguiri, que me pareceu, a princípio, mais uma ‘armadilha’ em busca de audiência e ‘monetização’.

COPPOLLA

Caio, quando surgiu, me chamou a atenção positivamente. Muito antes dele, lá no comecinho da internet no País, me impressionei com o blog – acho que foi pioneiro no Brasil – de política, do Reinaldo Azevedo, que já conhecia pela revista Primeira Leitura; a melhor que já tivemos por aqui. Bem como, há muitos anos também, me chamou a atenção o Felipe Moura Brasil.

Reinaldo e Felipe são, hoje, sucessos indiscutíveis. E não apenas de audiência, não, mas de boa imagem. São profissionais sérios, independentes, preparados e, o mais importante, intelectualmente honestos e coerentes com o que acreditam e defendem publicamente; gostemos ou não. Mas com o Caio me enganei. Imaginei que seria como os dois, tsc tsc tsc…

Uma pena, pois extremamente capaz, bem articulado, raciocínio rápido, memória privilegiada e carismático. Não se ‘vendesse’ – reparem nas aspas, pois isso não significa, necessariamente, dinheiro – e teria um futuro brilhante no jornalismo. Só que preferiu jogar fora todo seu gigantesco potencial e juventude, e se transformar em mero lacaio de um governo imprestável.

KIM

Meu sonho de consumo, que jamais verei se realizar, infelizmente, seja pela idade ou incapacidade do Brasil de se afastar do atoleiro em que se meteu desde, sei lá, 1500, mais ou menos, que é ter um Congresso transbordando de jovens liberais, modernos, preparados, corajosos e dispostos a levar o País ao desenvolvimento, passa pelos Kim Kataguiri que aí estão.

O ‘Japa do MBL’, até agora ao menos, me merece nota 9.5 como parlamentar. E tudo o que ainda lhe falta virá com o passar dos anos e a experiência adquirida. E como ele, sobretudo no partido Novo e na ‘jovem guarda’ do DEM, uma geração promete ao menos lutar por uma política melhor e menos, desculpem o palavrão!, escrota do que essa que aí está.

Kim é inteligente; dono de uma oratória direta, contundente e sem medo; estudado e capaz de armazenar o que aprende; possui um raciocínio extremamente veloz e útil a alguém que, exercendo a política, precisa não apenas conseguir esclarecer, mas também, e sobretudo, convencer. Espero, sinceramente, que nunca se desvie do bom caminho.

DEBATE

Bem, não foi propriamente um debate, mas um espaço para apresentação de ideias e ideais. Não trouxe oportunidade de reflexão e aprendizado. Foi, eu diria, um combate de egos. Na linguagem da moda, disputa por ‘lacração’. Material para ‘cortes’ e mais visualizações é o que não falta. Mas, ainda assim, foi legal assistir, ainda que um pouco triste.

Sim, é triste, repito, um jovem se entregar, tão cedo, a um papel destes. Falo de Caio Coppolla, claro, por algum motivo uma espécie de porta-voz, de ministro das Comunicações do governo homicida, psicopata e desgraçadamente cruel daquele a quem chamo de verdugo do Planalto. Os temas que escolheu para debater, digo fazer propaganda, foram Infraestrutura e emprego.

Eu pergunto: por que diabos um comentarista político, dito independente, precisa louvar acertos do governo? Ora, isso é papel do… governo! Uma coisa é, diante de uma notícia positiva, você elogiar a administração pública, outra, bem diferente, é, ao mesmo tempo, ser divulgador e audiência que aplaude. E o que foi aquilo, a respeito do desemprego e do dólar, meu Deus?

TERCEIRA VIA E ENCERRO

Coppola faz parte da tribo que prega o extremo do extremo do pragmatismo. Para ele, entre incentivar uma candidatura alternativa aos gêmeos siameses da peste e da corrupção, respectivamente, Jair Bolsonaro e Lula da Silva, o meliante de São de Bernardo, e seus rebanhos sectários e fanáticos, lulopetismo e bolsonarismo, é melhor ajoelhar e mugir a um dos pastores.

Kim, por sua vez, como eu e quase 50% do eleitorado brasileiro, segundo todas as pesquisas recentes, prefere ao menos tentar. Como ele disse, “eu não quero nem unha encravada nem fratura de tornozelo”. O Japa ensina ao sabujo a mais básica lição: você não é obrigado a ter de escolher entre o ruim e o péssimo. E mais, “prefiro perder com meus valores, do que ganhar me vendendo”.

Apenas no canal oficial do debate, mais de 1,2 milhão de pessoas já assistiram à humilhante submissão de Caio ao maior e pior projeto de destruição do País, que é o bolsonarismo, através do ódio à democracia; do negacionismo assassino em relação à Covid e da adesão ao maldito ‘sistema’, via conluio com o Centrão. Ou ainda, pela incapacidade intelectual, cognitiva e emocional do amigão do Queiroz.

Ele, a prole, seu governo e fanáticos seguidores são os responsáveis diretos por dezenas de milhares de mortes por Covid; por alguns milhões de desempregados; pela imagem de pária internacional do Brasil no exterior, e pelo renascimento do maldito lulopetismo. E tudo isso não apenas com a conivência bovina de Coppolla, mas com seu apoio (i)moral e a mais retumbante sabujice já vista ultimamente.

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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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