Tempestade Leonardo deixa um morto em Portugal e causa chuvas intensas na Espanha

A passagem da tempestade Leonardo pela Península Ibérica, a sexta do ano, deixou um morto em Portugal e causou chuvas “extraordinárias” de mais de 400 milímetros no sul da Espanha nesta quarta-feira (4).

A Península Ibérica está na linha de frente das mudanças climáticas e encadeia há anos ondas de calor cada vez mais prolongadas, que começam inclusive antes do verão, e episódios de chuvas intensas cada vez mais frequentes.

Um homem de cerca de 60 anos foi arrastado pelas águas de um rio enquanto tentava atravessar uma rodovia inundada perto de uma represa na cidade de Serpa, no sudeste de Portugal, informou a Defesa Civil no início da noite (hora local).

Na Espanha, a agência estatal de meteorologia Aemet decretou alerta vermelho – o mais elevado – nas serras de Grazalema e Ronda, na Andaluzia, e na região do Estreito de Gibraltar, diante do “perigo extraordinário” provocado pelas chuvas intensas.

Além disso, vários rios estão em risco de transbordamento.

Em Grazalema, um povoado montanhoso na província de Cádiz, foram registados mais de 400 milímetros de chuvas, que é “o que costuma chover em Madri em um ano inteiro”, disse à AFP Rubén del Campo, porta-voz da Aemet.

Nos últimos dez dias, em um inverno particularmente chuvoso, esta cidade de quase 2.000 habitantes registrou mais chuvas do que ocorrem em um ano em “Corunha, na Galícia, uma cidade que tem fama de ser muito chuvosa”, acrescentou.

– Chovendo no molhado –

Mais cedo, Del Campo assinalou, na rede X, que estas “chuvas extraordinárias” são agravadas “pelo fato de que já vem chovendo com intensidade nas últimas semanas, os solos estão muito saturados, os leitos [dos rios] já têm muita água”.

“Desde já, é muito provável que ocorram cheias, inundações e deslizamentos de terra”, acrescentou.

Devido à grave situação que afetou quase toda a Andaluzia, exceto a província de Almería, no extremo leste da região, as aulas foram suspensas e 3.500 pessoas foram desalojadas preventivamente.

O serviço de trens foi praticamente suspenso em toda a Andaluzia, informou a empresa pública espanhola Renfe, enquanto os portos marítimos da região também foram fechados.

O presidente regional andaluz, Juan Manuel Moreno, tinha pedido na terça-feira “muita prudência” e “bom senso” sobretudo perto dos “leitos dos rios e em áreas alagáveis”.

“Precaução máxima […] Evite deslocamentos desnecessários”, recomendou no X o presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, enquanto quase 50 rodovias estavam interditadas por inundações ou árvores derrubadas pelos fortes ventos.

As escolas ficaram fechadas em toda a Andaluzia nesta quarta-feira, exceto em Almería.

Os pedidos de prudência e as medidas preventivas parecem ter dado resultado, pois o serviço de emergência andaluz informou ter atendido mais de 650 ocorrências ao longo do dia, mas nenhuma delas com maior gravidade.

Nesta quarta, estavam destacados na Andaluzia 400 soldados da Unidade Militar de Emergências (UME) para ajudar os serviços de resgate. Outros militares do Exército estavam “preparados” para agir se necessário, informou a ministra da Defesa, Margarita Robles.

Na Espanha, um país muito descentralizado, as regiões são encarregadas de gerenciar as situações de emergência.

Em outubro de 2024, enormes inundações provocaram mais de 230 mortes, principalmente na região de Valência, deixando uma lembrança traumática. Uma pessoa também morreu na Andaluzia naquele episódio.

– ‘Nunca vi coisa semelhante’ –

Em Portugal, além do registro do homem morto, 200 pessoas foram evacuadas nesta quarta-feira no centro do país, segundo a Defesa Civil, que informou que, desde o domingo, o serviço de emergência tinha atendido mais de 3.300 ocorrências, sobretudo por inundações, quedas de árvores e deslizamentos de terra.

Em Alcácer do Sal, cerca de 100 km ao sul de Lisboa, o rio Sado transbordou e a principal avenida do centro da cidade ficou inundada, constataram jornalistas da AFP.

“Eu nunca vi coisa semelhante. A água entra em Alcácer com uma força que não pensávamos ser possível”, explicou à AFP Jessica Ramalho, uma comerciante local.

Nas últimas semanas, Portugal foi impactado por várias tempestades sucessivas, sendo a Kristin a mais devastadora delas, deixando cinco mortos e muitos danos materiais.

Há dias, 83.000 residências e empresas estão sem energia elétrica por causa das chuvas.

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