Edição nº2539 17/08 Ver edições anteriores

Temer reclama

LIGAÇÕES
Temer telefona pessoalmente
para articulistas rebatendo que
seu governo
tenha acabado (Crédito:Andre Coelho)

O presidente Michel Temer tem se incomodado nas últimas semanas com artigos que lê nos jornais dizendo que seu governo acabou e que ele não terá mais nada de relevante para anunciar até o final do ano. Em alguns casos, Temer chegou a ligar pessoalmente para alguns articulistas, rebatendo a avaliação com números e realizações de seu governo. Com índices baixos de popularidade, o maior temor do presidente é chegar às eleições da forma como José Sarney chegou em 1989, quando todos os candidatos na disputa criticavam seu governo e queriam se manter longe dele. É por essa razão que chegou a cogitar primeiro disputar a reeleição e depois ajudou a articular pessoalmente para que seu ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles fosse candidato pelo MDB.

Poupança

Temer aponta como dado positivo a recuperação dos números da poupança. Se o brasileiro recuperou alguma capacidade de poupar, é porque houve melhoria da economia, de um modo geral. E essa, melhora, entende Temer, é fruto das ações de seu governo. Para o presidente, porém, o clima político parece impedir que sua imagem cole em qualquer boa notícia.

Articulação

O presidente preocupa-se em manter viva sua capacidade de articulação política. Reforça que a decisão de colocar Germano Rigotto como vice de Meirelles deu-se após uma ligação pessoal para o ex-governador gaúcho. E que ele participou ativamente das negociações que levaram o Centrão a optar por Geraldo Alckmin, do PSDB, e não por Ciro Gomes, do PDT.

Bancada da renovação

Roque de Sá

Sem partido, o senador José Antônio Reguffe não deverá apoiar nenhum dos candidatos ao governo do DF. Mas trabalha para dar apoio a candidatos a deputado que nunca tiveram mandato, para reforçar a renovação. A turma apoiada por ele tem de se comprometer com nove atitudes. Não poderá, por exemplo, ter mais que nove assessores, terá que usar somente metade da verba de representação e não poderá indicar ninguém para os governos.

Rápidas

* Na convenção do MDB na quinta-feira 2, em que o partido escolheu o ex-ministro Henrique Meirelles como presidenciável, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, apresentou dados sobre a segurança pública no estado ao presidente Michel Temer.

* Temer gostou do que ouviu. Segundo Pezão, depois da intervenção militar determinada pelo presidente em fevereiro, houve uma queda substanclal de 40% no volume de roubos de cargas e de caminhões.

* Também diminuiu, de acordo com o governador fluminense, o número de roubos a veículos e a pedestres. A intervenção no Rio foi determinada por Temer para resolver a mais grave crise na segurança do Estado.

* A Câmara pode ser acusada de trabalhar pouco. Mas os deputados não deixam de propor projetos. Somente na reabertura dos processos legislativos, foram apresentados 20 novos projetos parlamentares.

Retrato falado

“Meirelles entra para colar em Temer e liberar Alckmin” (Crédito:Joel Rodrigues/FRAME)

Ao perceber que a maioria do MDB aprovaria a candidatura de Henrique Meirelles à Presidência, o senador Renan Calheiros (AL), que articulava contra ele, desistiu de discursar na convenção do partido. Mas, nos bastidores, ventilou a tese de que Meirelles, sem chances, entra somente para que Alckmin (PSDB) fique à vontade e não precise defender o legado do impopular atual presidente. “Há municípios lá em Alagoas em que a impopularidade de Temer bate 100%”, provocou Renan.

Lei de acesso

Criada em 2012, a Lei de Acesso à Informação é um importante instrumento para a obtenção de dados do Poder Executivo. As informações pedidas por ela ao governo federal ou aos governos estaduais não podem ser negadas. Contudo, algumas pessoas não entenderam a sua finalidade. Há uma série de pedidos inusitados que chegam pelo seu canal de informação. Em julho, por exemplo, uma cidadã do Espírito Santo solicitou a doação de 250 escovas de dente para uma escola da rede pública estadual. No mesmo mês, outro usuário do Maranhão requisitou, por meio da LAI, que fosse realizada uma operação de combate ao desmatamento. Houve até quem requisitasse pela Lei de Acesso a segunda via do CPF.

Toma lá dá cá

Juracy Soares, presidente da Febrafite (Crédito:Divulgação)

 

Juracy Soares, presidente da Febrafite

Qual é a proposta que a Federação Brasileira das Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) levará à Câmara sobre a reforma tributária?

É a terceira versão da nossa proposta. As grandes novidades são a criação de um IVA unindo ISS e ICMS, a desoneração da cesta básica para a população de baixa renda e um conselho unindo os órgãos de fisco federal, dos estados e municípios. Será o Conselho Nacional de Administração Tributária (Conat). Hoje, o empresário tem que se relacionar com 27 legislações tributárias distintas, o que gera trabalho e confusão.

Qual a importância da reforma tributária?
Ela é hoje uma reforma vital. O país não pode mais conviver com um ecossistema de negócios tão confuso, que gera as condições perfeitas para uma rebelião tributária.

Crianças na caverna

Ao Ministério das Relações Exteriores, um cidadão enviou pela Lei de Acesso um pedido para que o governo brasileiro ajudasse a resgatar as crianças tailandesas que ficaram presas em uma caverna. E chegou a sugerir que elas fossem retiradas de forma semelhante ao resgate dos mineiros presos no Chile.

Vice ia ficar fora

Antes de aceitar ser vice de Henrique Meirelles, do MDB, o gaúcho Germano Rigotto ia ficar fora das eleições deste ano. Depois de calcular que seria difícil vencer a disputa por uma vaga no Senado, Rigotto já tinha desistido também de tentar voltar a ser deputado federal. Aí, não por falta de votos, mas por considerar que não será interessante estar na próxima Câmara.

Divulgação

Partidos demais

Para Rigotto, a composição da próxima Câmara será muito fragmentada, com partidos demais, o que dará um peso excessivo ao chamado baixo clero. Para ele, isso já está ocorrendo, com a diminuição de bancadas como a do próprio MDB. “Uma reunião de líderes com dezenas de partidos não resolve nada. E os acordos ficam pouco ortodoxos”.

Pouca grana

Thiago Gomes / Ascom Sespa

O candidato ao governo do Distrito Federal pelo DEM, o deputado federal Alberto Fraga, tem reclamado do teto orçamentário para gastar na disputa majoritária. Ele acredita que os R$ 5 milhões estipulados pela Justiça Eleitoral não serão suficientes. Para ele, seriam necessários pelo menos R$ 7 milhões.


Mais posts

Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.