Temer diz que Gilmar ‘não deveria’ ter respondido Zema, mas STF não tem culpa de tudo

Ex-presidente considera que “excesso de temas” da Constituição abre brecha para ativismo judicial

O ex-presidente da República Michel Temer
O ex-presidente da República Michel Temer Foto: Cesar Itiberê/PR

O ex-presidente da República Michel Temer (MDB) afirmou que o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), “não deveria” ter respondido às publicações críticas que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fez à corte.

“Quanto mais ele [Gilmar] responde, evidentemente, mais argumentos dá à contestação”, disse Temer em entrevista concedida nesta segunda-feira, 27, durante participação na 8ª edição do Fórum Paulista de Desenvolvimento, em Itu (SP).

O decano do Supremo respondeu duramente a Zema e pediu que o ministro Alexandre de Moraes abrisse uma investigação contra ele no inquérito das fake news após a publicação de um vídeo em que bonecos simulam um diálogo entre Gilmar e Dias Toffoli.

Após a reação do magistrado, Zema, que é pré-candidato à Presidência da República, recebeu apoio de diversos políticos de direita, incluindo os também presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), e voltou a fazer publicações críticas à corte. O STF está sob forte escrutínio deste espectro, em especial, pelas ligações suspeitas entre Toffoli e Moraes e o escândalo do Banco Master.

Supremo não tem ‘tanta culpa assim’

Mesmo com a divergência em relação ao decano, Temer afirmou que os magistrados não podem ser integralmente responsabilizados pelo que chamou de “ativismo judicial”.

“Não é bem problema do STF. Nossa Constituição cuidou de todos os temas. A função do Supremo é guardar a Constituição e, sendo assim, qualquer problema relacionado a esses temas vai parar no texto constitucional e, daí, no Supremo”, afirmou o emedebista.

Chefe da República entre 2016 e 2018, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), de quem foi vice-presidente, Temer foi deputado federal constituinte e, como presidente, teve relação próxima com os integrantes da cúpula do Judiciário. Foi responsável pela indicação de Alexandre de Moraes.