Temer diz que Sapucaí trocou crítica social por bajulação com desfile sobre Lula

Satirizado pela Acadêmicos de Niterói, ex-presidente afirmou defender liberdade de expressão sem cobrança por 'rigor histórico'

O ex-presidente da República Michel Temer
O ex-presidente da República Michel Temer Foto: Cesar Itiberê/PR

O ex-presidente Michel Temer (MDB) classificou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula (PT) como a troca da “crítica social pela bajulação” na Marquês de Sapucaí, palco do Carnaval do Rio de Janeiro, mas disse não ver motivos para questionar escolha da agremiação.

A nota divulgada nesta segunda-feira, 16, pelo emedebista tem o título de “Saudades da Tuiuti“, em referência ao desfile da Paraíso do Tuiuti (RJ) que o retratou como um vampiro e criticou projetos de seu governo, como a reforma trabalhista, no Carnaval de 2018. Temer era presidente, como Lula.

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No domingo, 15, a Acadêmicos de Niterói representou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) com uma cena em que um boneco do emedebista toma a faixa presidencial da titular. Temer escreveu que “não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo” e que, como um defensor da liberdade de expressão, entende que “sátira política é parte da tradição do Carnaval“.

“O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência”, concluiu o ex-presidente, em crítica ao governo petista.

Temer retratado como vampiro no desfile da escola Paraíso do Tuiuti, em 2018

O Carnaval e os políticos

A representação de políticos por escolas de samba não é uma novidade. Além dos desfiles em homenagem a Lula e crítico a Temer, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi satirizado três vezes durante seu mandato, por São Clemente e Acadêmicos de Vigário Geral, do Rio de Janeiro, e Rosas de Ouro, de São Paulo.

Em 2006, no Carnaval paulista, a Leandro de Itaquera homenageou Geraldo Alckmin (à época no PSDB) e José Serra (PSDB), então governador e prefeito da capital do estado.