Nova tecnologia permite exames de câncer até quatro vezes mais rápidos no SUS

Equipamento instalado no Hospital de Clínicas da Unicamp amplia a precisão das imagens e poderá aumentar a capacidade de atendimento oncológico

Foto de arquivo | Edição: IstoÉ.
Foto: Foto de arquivo | Edição: IstoÉ.

Uma nova tecnologia instalada no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, promete ampliar a capacidade de diagnóstico de câncer na rede pública de saúde.

O equipamento, conhecido como SPECT/CT, permite realizar determinados exames até quatro vezes mais rapidamente do que os aparelhos convencionais, além de produzir imagens com maior definição.

A tecnologia foi apresentada durante visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, à instituição, nesta terça-feira (27).

Segundo o Ministério da Saúde, trata-se do primeiro equipamento dessa categoria instalado em um hospital público da América Latina.

O investimento ultrapassou R$ 8,6 milhões e integra as ações de modernização da assistência oncológica oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Como funciona o novo equipamento?

O SPECT/CT combina recursos da medicina nuclear com imagens de tomografia computadorizada.

A tecnologia permite analisar o funcionamento de órgãos e tecidos e, ao mesmo tempo, localizar com maior precisão possíveis alterações no organismo.

No acompanhamento do câncer, o equipamento pode auxiliar na identificação de tumores e metástases, na avaliação da extensão da doença e no planejamento de tratamentos.

De acordo com o Ministério da Saúde, as imagens produzidas podem apresentar resolução até três vezes superior à obtida com equipamentos convencionais.

Essa melhoria favorece a visualização de lesões pequenas e pode oferecer informações adicionais às equipes médicas.

A indicação do exame, entretanto, depende da avaliação clínica e do tipo de doença investigada.

Exames mais rápidos podem reduzir tempo de espera

Uma das principais vantagens anunciadas é a velocidade de realização dos procedimentos.

Segundo o governo federal, determinados exames poderão ser realizados em um tempo até quatro vezes menor.

A redução da duração dos procedimentos pode permitir que o hospital atenda mais pacientes ao longo do dia.

Com isso, a expectativa é ampliar a capacidade de diagnóstico e contribuir para diminuir o tempo de espera.

A velocidade do equipamento não significa, porém, que todos os diagnósticos de câncer passarão a ser concluídos quatro vezes mais rapidamente.

O processo de diagnóstico envolve diferentes etapas, como consultas, avaliação médica, exames complementares e análise dos resultados.

Tecnologia também será utilizada em pesquisas

Além da assistência aos pacientes, o novo SPECT/CT será utilizado em pesquisas clínicas desenvolvidas pela Unicamp.

A proposta é ampliar o conhecimento sobre técnicas de diagnóstico e acompanhamento de doenças oncológicas.

A instituição reúne diferentes serviços especializados, incluindo atendimento hospitalar, pesquisa científica e formação de profissionais da saúde.

A incorporação de equipamentos mais modernos também pode contribuir para o desenvolvimento de novos protocolos e para a qualificação das equipes.

Saúde da mulher recebe novo equipamento

Durante a visita à Unicamp, Alexandre Padilha também conheceu melhorias realizadas no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism).

A unidade recebeu um novo aparelho de densitometria óssea, utilizado para avaliar a saúde dos ossos.

O exame pode ser indicado para mulheres no climatério e na menopausa, além de pacientes submetidas a determinados tratamentos oncológicos.

O equipamento contribui para a identificação de alterações na densidade mineral óssea e para o acompanhamento de pessoas com risco de osteoporose.

O Caism também passou por melhorias em seu centro cirúrgico, com a instalação de novas mesas destinadas a ampliar a segurança e as condições de trabalho das equipes.

Segundo o Ministério da Saúde, a unidade realiza mais de 7 mil procedimentos cirúrgicos anualmente.

Investimentos ampliam estrutura da Unicamp

O Ministério da Saúde informou que mantém investimentos na estrutura hospitalar e oncológica da Unicamp.

Desde 2023, o complexo recebe repasses anuais de R$ 11,24 milhões destinados à assistência de pacientes com câncer.

Também foram destinados R$ 5,9 milhões para a aquisição de um acelerador linear, equipamento utilizado em tratamentos de radioterapia.

Em julho de 2026, o governo federal anunciou outros R$ 10,2 milhões para modernização do Hospital de Clínicas.

Os recursos incluem melhorias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e aquisição de equipamentos de diagnóstico.

A incorporação do SPECT/CT representa mais uma etapa desse processo de atualização tecnológica.

Diagnóstico é etapa importante do tratamento

A identificação precisa da doença é fundamental para definir as opções de tratamento e acompanhar a resposta dos pacientes.

No caso do câncer, diferentes exames podem ser necessários para determinar a localização e a extensão de uma lesão.

Tecnologias de imagem mais avançadas podem contribuir para decisões clínicas, mas não substituem a avaliação médica individualizada.

Com o novo equipamento, a expectativa do Hospital de Clínicas da Unicamp é ampliar a capacidade de atendimento especializado e fortalecer os serviços de diagnóstico oferecidos pelo SUS.

Da IstoÉ Saúde