SÃO PAULO, 22 JAN (ANSA) – Faltando poucos dias para o início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, o curling italiano mergulhou em uma grande controvérsia envolvendo a convocação da seleção feminina da Azzurra.
O técnico da equipe, Marco Mariani, surpreendeu ao excluir da lista a experiente atleta Angela Romei, de 28 anos, e convocar a própria filha, Rebecca Mariani, de 19, para assumir a vaga da compatriota no plantel.
Romei integra a Azzurra desde 2017 e participou de seis Campeonatos Mundiais e nove Europeus da modalidade, enquanto a jovem filha do treinador tem pouquíssima experiência internacional na categoria principal do curling.
“Estou devastada, mas minha decepção está sobretudo na forma e no momento em que tudo aconteceu. Mariani me contou sobre isso há alguns dias, em um telefonema logo após o último período de treinos. Eu esperava ao menos uma discussão baseada em dados e resultados. Considero uma injustiça com o trabalho realizado ao longo de todos esses anos e com todo o movimento”, disse Romei em entrevista ao jornal La Stampa.
O treinador da seleção, por sua vez, afirmou que não vê motivos para que sua filha seja “discriminada” pela convocação e defendeu a decisão de ter excluído Romei do grupo.
“Acredito que minha filha tem a personalidade e as qualidades necessárias para tentar fazer algo bom neste evento olímpico, contribuindo para a equipe. Eu sabia que essa escolha geraria controvérsia, mas, ao mesmo tempo, não vejo motivo para que Rebecca seja discriminada apenas por ser minha filha”, comentou o técnico ao site IlNordEst.
Em um comunicado sobre a polêmica, a Federação Italiana de Esportes no Gelo (Fisg) saiu em defesa da autonomia de Mariani na escolha das atletas que representarão o país nos Jogos Olímpicos de Inverno.
“Trata-se de uma decisão puramente técnica, baseada no desempenho individual das jogadoras. Rebecca Mariani, como reserva, possui características que lhe permitem atuar em todas as quatro posições da equipe, diferentemente de Romei, que ocupa apenas uma. Isso proporciona ao diretor técnico maior segurança e mais opções, se necessário”, informou a entidade, acrescentando que a jovem promessa é a capitã da atual equipe vice-campeã da Itália. (ANSA).