TAS rejeita recurso de ucraniano expulso dos Jogos de Inverno por capacete

MILÃO, 13 FEV (ANSA) – O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) rejeitou nesta sexta-feira (13) o recurso do atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych contra sua desclassificação nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina D’Ampezzo devido à questão do capacete, mantendo sua exclusão da prova masculina no esporte.   

Heraskevych insistiu em competir com um capacete com imagens de compatriotas mortos pela Rússia na guerra em seu país, tendo sido vetado da competição pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que considerou uma violação da Carta Olímpica e das diretrizes sobre a liberdade de expressão dos atletas.   

O TAS, embora tenha declarado seu “total apoio” à homenagem do piloto de skeleton, considerou as restrições impostas pelas regras “razoáveis e proporcionais” e rejeitou o recurso do atleta.   

“Embora [a autoridade do TAS] apoie integralmente a homenagem de Heraskevych, [ela] está vinculada às regras contidas nas Diretrizes do COI sobre a Expressão dos Atletas”, disse o Tribunal em nota, reforçando que “essas regras proporcionam um equilíbrio razoável entre o interesse dos esportistas em expressar suas opiniões e em receber atenção integral por seu desempenho esportivo no campo de competição”.   

“O árbitro único nomeado para o caso declarou total solidariedade com a causa de Heraskevych e com sua tentativa de sensibilizar sobre a dor e a devastação sofridas pelo povo ucraniano e por atletas desse país por conta da guerra”, reforçou o texto.   

De acordo com as Diretrizes do COI, “a liberdade de expressão é um direito fundamental de todo atleta que compete nos Jogos Olímpicos, mas elas limitam o direito de expressar opiniões durante as competições no campo de jogo”.   

No entanto, o comunicado do TAS fez uma ressalva: “o árbitro único acredita ter sido injusto retirar a credencial de Heraskevych nessas circunstâncias e apoia a decisão do COI de tê-la restabelecido”.   

Heraskevych foi desclassificado dos Jogos de Inverno Milão-Cortina por sua insistência em usar um capacete com os rostos de atletas ucranianos mortos na guerra.   

O COI alegou que antes de desclassificá-lo, se encontrou com o piloto por “inúmeras vezes” na tentativa de convencê-lo a seguir a regras, oferecendo a ele a opção de suar uma braçadeira preta em sinal de luto, mas Heraskevych não aceitou competir assim, após ter usado o capacete nas provas de treino.   

No próximo 24 de fevereiro, a invasão russa na Ucrânia irá completar quatro anos. (ANSA).