Kassab e Tarcísio trocam farpas indiretas sobre lealdade e submissão

Presidente do PSD acusa governador de São Paulo de ser 'submisso' ao clã de Jair Bolsonaro (PL)

Mônica Andrade/Governo de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (à esquerda), ao lado de Kassab: parceria política Foto: Mônica Andrade/Governo de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), respondeu às críticas de que seria “submisso” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira, 19. Embora não tenha mencionado nomes, o comentário foi feito pelo presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab.

“Acho interessante como as pessoas confundem lealdade com submissão. Amizade e lealdade viraram atributos raros na política. As pessoas agem por interesse próprio”, disse Tarcísio. “Quem fala em submissão não entende nada sobre amizade e valores.”

No final de janeiro, Kassab sugeriu que Tarcísio precisava deixar clara a diferença entre gratidão política e submissão ao ex-presidente. Segundo o presidente do PSD, desde o início da gestão, o governador tem adotado uma postura de respeito a Bolsonaro, a quem classificou como “um grande líder”, mas precisa avançar na construção de uma identidade própria. “Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão”, disse em entrevista ao UOL.

Ao rebater as críticas, Tarcísio reiterou que “sabe de onde veio” e reconhece a importância que Bolsonaro teve em sua trajetória. Ele relembrou que passou três anos dizendo que “apoiaria o candidato de Bolsonaro” e que, como ele escolheu o filho (o senador Flávio Bolsonaro), caminharia com ele.

Ele acrescentou que o Brasil “precisa de uma alternativa”, pois as pessoas estão cansadas da “falta de projeto”. Disse ainda que Flávio pode oferecer um projeto de longo prazo, voltado à prosperidade.

A troca de farpas ocorre na esteira da desistência do governador Tarcísio de Freitas de disputar a Presidência da República neste ano. Kassab havia manifestado publicamente apoio e entusiasmo com a eventual candidatura do aliado, mas Tarcísio recuou da ideia após o ex-presidente Jair Bolsonaro indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu sucessor na corrida ao Palácio do Planalto.

Em contrapartida à incumbência de Flávio – que pede por uma coalização de centro-direita em chapa única -, o PSD já acumula três pré-candidatos à presidência: Ronaldo Caiado (GO), Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR).