O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reagiu nesta terça-feira, 5, às críticas do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) sobre a política fiscal do estado. Tarcísio acusou Haddad de ter “quebrado o Brasil” e de ser responsável pelo alto endividamento e juros elevados.
Em coletiva de imprensa, Tarcísio afirmou que o petista “não trabalhou durante três anos” e deixou como legado o endividamento da população e a alta taxa de juros.
O que aconteceu
- Tarcísio de Freitas rebate duramente as críticas de Fernando Haddad à política fiscal de São Paulo.
- O governador paulista acusou Haddad de “quebrar o Brasil” e deixar um legado de endividamento da população e juros altos.
- Haddad, por sua vez, criticou a gestão financeira de Tarcísio, afirmando que o estado está “sem caixa” e dependente da renegociação da dívida.
“Era só o que faltava o Haddad vir falar de política fiscal do Estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do Estado de São Paulo? Eu teria vergonha”, afirmou Tarcísio, acrescentando que o “legado” de Haddad no governo federal inclui alto endividamento da população e a elevada taxa de juros.
Antes, em discurso, Tarcísio já havia feito críticas indiretas a Haddad e ao governo federal. “Está na hora de dar cartão vermelho para essa turma, que eles não vão voltar mais”, disse, em evento de balanço anual de seu programa de infraestrutura, o “São Paulo Pra Toda Obra”.
São Paulo sem caixa?
Recentemente, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) fez críticas à saúde financeira de São Paulo e chegou a afirmar que a gestão Tarcísio é a pior desde o governador Luiz Antônio Fleury, eleito em 1990.
“Se não fosse a renegociação da dívida que eu conduzi junto com o Rodrigo Pacheco, que era presidente do Congresso, São Paulo acho que não fechava o mandado dele [Tarcísio]. São Paulo está sem caixa. Ele recebeu do governo anterior um volume de recursos em caixa. E ele não tem dinheiro hoje. E vendendo a Sabesp, aumentando a conta de água, renegociando a dívida. Se não fosse isso, São Paulo estaria ainda pior”, afirmou o petista em entrevista ao portal Metrópoles.
Tarcísio disse ainda que “quem questiona a saúde financeira de São Paulo” deixou um aumento de sete pontos na relação dívida/PIB. Ele acrescentou que foi deixado como legado uma massa de inadimplentes, um recorde de recuperações judiciais, a maior carga tributária e a segunda maior taxa de juros reais do mundo.
“Tem gente que precisa ser aposentada. E posso falar? Serão aposentados este ano”, continuou o governador, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Críticas à gestão federal
Na coletiva, ao ser questionado sobre a declaração de Haddad de que seria submisso a Donald Trump e de que o tarifaço teria prejudicado mais o Estado de São Paulo do que outras unidades da federação, Tarcísio respondeu: “O que tem a ver o Estado de São Paulo com o Trump? A gente não faz política externa aqui. Não trabalhou durante três anos e agora quer ficar falando besteira.”
O evento, que reuniu dezenas de prefeitos na sede do governo paulista, também contou com outras falas críticas ao PT. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por exemplo, mencionou o gasto trilionário com juros da dívida pública e o fato de o Brasil continuar com a segunda maior taxa de juros reais do mundo.