Brasileiros do Ano 2017

Talento, trabalho e luta pela igualdade

Ela brilhou ao interpretar uma batalhadora que entra no mundo do tráfico por amor — e milita pelo fim da violência contra a mulher

Crédito: Stefano Martini

Juliana Paes

Brasil ficou ligado na TV para acompanhar a saga de Bibi Perigosa, personagem de Juliana Paes na novela “A Força do Querer”. Brasileira do Ano na categoria Televisão, a atriz que está em cartaz nos cinemas como a protagonista da refilmagem de “Dona Flor e seus Dois Maridos” não conteve a emoção ao saber da escolha de ISTOÉ: “Estou tão lisonjeada! É muito bom fazer um trabalho que repercute de forma tão forte e positiva como foi a novela”, afirma. “Sinto que a personagem tocou as pessoas de verdade e não vai me abandonar tão cedo”. Depois do sucesso na trama da Globo e no cinema, a atriz já tem vários projetos para 2018. Depois de cinco anos longe dos desfiles de carnaval, ela será Rainha da Bateria da Escola de Samba Grande Rio. “Carnaval é uma paixão”, diz, abrindo um largo sorriso. Na telona, irá atuar em “Boca de Ouro”, adaptação da peça de Nelson Rodrigues que será dirigida por Daniel Filho, e na produção conjunta Brasil-Argentina “Água dos Porcos”, na qual contracenará com o Ricardo Darin. Para o segundo semestre, mais um filme, dessa vez sob a direção de Karim Aïnouz, ainda sem título.

Imagem de felicidade

Aos 38 anos, a atriz aproveita a fama também para ajudar os outros. Além de organizar anualmente um bazar beneficente , Juliana milita como Defensora para Prevenção e Eliminação da Violência Contra as Mulheres da ONU e se diz “feminista desde criancinha”, embora reconheça ter levado algum tempo para entender isso. “Eu era feminista e não sabia. Defendo direitos iguais, equidade entre os gêneros. Continuo acreditando no amor, no romance, na magia, no lúdico, mas isso não pode significar que a mulher seja considerada inferior ao homem.”

“Eu era feminista e não sabia. Defendo direitos iguais, equidade entre os gêneros”

Nascida em Niteroi, hoje ela mora no Rio de Janeiro, em uma bela casa dentro de um condomínio cercado por árvores e pássaros. “É o meu refúgio”, diz. Um de seus maiores prazeres está neste endereço: “É quando reúno minha família toda aqui, com crianças na piscina, música alta, almoço gostoso. Essa é minha imagem de felicidade.” Também o trabalho é fonte de alegria para ela, apesar do esgotamento eventual. “Vivo com a vida tão programada, com horários apertados que, quando de repente me vi com um dia inteiro livre, fiquei angustiada. Percebi como o condicionamento da pressa gruda na gente, não é?”, questiona, rindo de si mesma. Vai demorar um pouco para Juliana estrelar outra novela, por decisão da Rede Globo para descansar a imagem dela. “Achei ótimo, estou precisando mesmo dar um tempo do ritmo veloz de novelas.” Para combater o estresse quando a agenda fica maior que os dias disponíveis, ela desenvolveu defesas: “Eu aprendi técnicas de respiração em cursos, medito e sigo dicas de uma orientadora espiritual para não me deixar abater pelas más notícias, que são muitas. Quando sinto que está me afetando, paro de ler jornal ou ver o noticiário na TV para defender um pouco minha saúde.”