Tailândia denuncia fogo cruzado na fronteira; Camboja nega

O Exército tailandês denunciou nesta terça-feira (24) uma troca de tiros com as forças cambojanas ao longo da fronteira e acusou o país vizinho de violar a trégua estabelecida em dezembro, mas o governo do Camboja negou a acusação.

Segundo um comunicado militar, tropas cambojanas “lançaram uma granada de 40 mm” perto de uma patrulha tailandesa na província fronteiriça de Sisaket, sem provocar feridos.

“As forças tailandesas responderam com o disparo de lança-granadas M79 na direção de onde veio o disparo (…) como advertência e em legítima defesa”, acrescentou o Exército.

Winthai Suvaree, porta-voz do Exército tailandês, denunciou em um comunicado que “as ações do Camboja violam o acordo de cessar-fogo”, que acabou em 27 de dezembro com três semanas de confrontos violentos na fronteira.

O Camboja rejeitou as acusações. O ministro da Informação, Neth Pheaktra, declarou à AFP que “as afirmações são totalmente falsas, fabricadas e distorcem gravemente os fatos com a intenção deliberada de enganar a opinião pública e provocar tensão ao longo da fronteira”.

Pheaktra reiterou o “compromisso inabalável” do Camboja com a trégua de dezembro e com um acordo anterior de cessar-fogo de curta duração, assinado em outubro, na presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os dois países do sudeste asiático mantêm, há décadas, uma divergência sobre o traçado da fronteira de 800 quilômetros, estabelecido na época do período colonial francês.

O conflito fronteiriço provocou, no ano passado, confrontos que deixaram dezenas de mortos dos dois lados – soldados e civis – e forçaram o deslocamento de mais de um milhão de pessoas em julho e dezembro.

Desde a trégua, o Camboja afirma que a Tailândia assumiu o controle de várias áreas em províncias fronteiriças e exige a retirada das tropas tailandesas dos territórios reivindicados pelos dois países.

No início de janeiro, a Tailândia também acusou o Camboja de violar a trégua, alegando que disparos de morteiro deixaram um soldado ferido.

Phnom Penh afirmou que o incidente foi “uma explosão em um monte de lixo” que feriu dois de seus próprios soldados.

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