Dois tabloides britânicos, acusados de hackear telefones e de outras formas de “obtenção ilícita de informações” contra o príncipe Harry e outras seis pessoas, entre elas o cantor Elton John, insistiram nesta terça-feira (20) que recorreram a fontes “legítimas” para suas reportagens.
A Associated Newspapers Ltd (ANL), grupo editorial do Daily Mail e do The Mail on Sunday, buscou se defender das acusações de violação de privacidade por meio de métodos ilegais, no segundo dia do julgamento no Tribunal Superior de Londres, após a denúncia apresentada por essas sete pessoas.
O príncipe Harry, de 41 anos, que esteve presente no tribunal na segunda e nesta terça-feira, pode ser chamado a depor a partir de quarta-feira, em um julgamento que pode durar nove semanas.
Os advogados dos demandantes indicaram que os supostos atos ilegais ocorreram entre 1993 e 2011, embora alguns teriam se estendido até 2018.
Segundo os advogados, os tabloides empregaram detetives particulares para interceptar ligações telefônicas e obter informações privadas, como contas telefônicas detalhadas ou históricos médicos, além de extratos bancários.
Mas Anthony White, advogado da ANL, afirmou que o julgamento demonstrará que a empresa “apresenta um relato convincente de um padrão de obtenção legítima de fontes para os artigos”.
White acrescentou que as acusações implicariam que jornalistas e outras pessoas dos tabloides mentiram de forma generalizada.
“Deve-se levar em conta a improbabilidade inerente de que um número tão grande de jornalistas fizesse isso”, argumentou White.
Este julgamento é o terceiro e último caso apresentado contra um editor de jornais britânico pelo príncipe Harry, que qualificou como uma “missão” enfrentar os tabloides “pelo bem comum”.
O filho mais novo do rei Charles III culpa há muito tempo a imprensa pela morte de sua mãe, a princesa Diana, que morreu em um acidente automobilístico em Paris, em 1997, enquanto tentava fugir dos paparazzi.
Em 2023, ele se tornou o primeiro membro da realeza britânica a depor em um tribunal em mais de um século, ao testemunhar como parte de uma ação contra a Mirror Group Newspapers (MGN).
Naquela ocasião, o Tribunal Superior de Londres decidiu que Harry foi vítima de hackeamento telefônico e determinou uma indenização de 140.600 libras (cerca de R$ 1 milhão) por danos e prejuízos.
Em janeiro de 2025, Harry chegou a um acordo financeiro com o editor Rupert Murdoch.
O News Group Newspapers (NGN), de Murdoch, apresentou desculpas a Harry “pela espionagem telefônica, vigilância e uso indevido de informações privadas por parte de jornalistas e investigadores privados” instruídos pelo grupo.
O advogado dos sete demandantes neste novo julgamento, David Sherborne, afirmou nesta terça-feira que, caso vençam a ação, “as indenizações terão de ser significativas, dado o tipo de atividades envolvidas”.
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