A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) disse que vai processar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, por danos morais. Em tumultuada sessão na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 22, o ministro distribuiu comprovantes de que havia convidado a parlamentar para uma reunião no MEC, fato que ela havia desmentido. As cópias traziam telefones da deputada e da sua equipe, o que ela considerou constrangimento. “Não é uma atitude de ministro. Tenho vergonha de a gente estar aqui. Eu cobrando planejamento estratégico, com respeito, e o senhor me responder com isso, com imaturidade.”

Ela observou ainda que os comprovantes exibidos eram de convites feitos na gestão do antecessor de Weintraub, Ricardo Vélez Rodriguez. Procurada à tarde pelo Estado, a parlamentar, por meio da assessoria, disse estar numa reunião e impossibilitada de dar entrevista. Mas confirmou que irá procurar advogados para tomar as medidas judiciais cabíveis.

A sessão que recebeu Weintraub teve seu encerramento apressado por causa de confusão entre parlamentares. O tumulto começou quando a deputada que presidia a audiência, professora Marcivania (PCdo B-AP), questionou se o ministro estava disposto a ouvir representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES). O ministro negou. “Eu nunca fui filiado à UNE”, respondeu.

Mesmo com a reação do ministro, a deputada afirmou que concederia dois minutos para que os representantes dos movimentos se manifestassem, provocando revolta de parlamentares da base de apoio. Houve gritos e dedos em riste. O deputado Éder Mauro (PSD-PA) dava tapas na mesa. Exaltados, ele, o deputado Waldir, líder do PSL na Câmara, e a professora Dayane Pimentel (PSL-BA) levantaram-se e foram até a mesa protestar.

Pós-graduação
Esta foi a terceira vez em menos de dois meses que Weintraub foi ao Congresso. Na semana passada, no plenário da Câmara dos Deputados, a confusão se repetiu. Também não houve novidades na exposição do ministro. Nas três vezes, ele trouxe a mesma apresentação. Aos deputados nesta quarta, ele defendeu a cobrança de mensalidades na pós-graduação, uma prática hoje que não é prevista em lei.

O ministro reafirmou ser contrário à cobrança das mensalidades durante a graduação, mas disse ter avaliação diferente sobre os cursos de mestrado e doutorado. “Tá lá o bonitão com diploma de advogado, ele paga”, afirmou, para mais tarde complementar: “E não é pra toda pós-graduação, mas para as que têm visão de mercado, a gente pode cobrar.”

Repetindo os tópicos apresentados nas outras ocasiões, ele defendeu que universidades aumentem suas fontes de receita. Disse ainda concordar com a ampliação das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). O aumento de recursos, contudo, estaria condicionado ao cumprimento de metas de Estados e municípios.