SUS inicia oferta de nove medicamentos contra o câncer

Tratamentos de alta tecnologia chegam a 20 centros em 17 estados; governo também inicia rastreamento de câncer de intestino

Crédito: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde.
Foto: Crédito: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde.

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a ofertar nove medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer. Os remédios atendem 13 indicações clínicas e serão disponibilizados inicialmente em 20 centros especializados de 17 estados, com previsão de expansão gradual para outras unidades até o fim do ano.

Segundo o Ministério da Saúde, a medida pode beneficiar mais de 116 mil pacientes e integra um plano que prevê a entrada de 23 novos fármacos oncológicos na rede pública até dezembro. A estimativa oficial é que a ampliação represente um aumento de 35% nas alternativas terapêuticas oferecidas pelo SUS.

A nova etapa alcança pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, rim, tireoide, estômago, tumores neuroendócrinos, leucemia linfocítica crônica e diferentes tipos de linfoma. Entre os medicamentos estão abemaciclibe, abiraterona, gefitinibe, pazopanibe, rituximabe, sunitinibe, trastuzumabe, acetato de lanreotida e TSH recombinante.

Parte dos tratamentos já havia sido incorporada ao SUS, mas ainda não estava disponível de forma efetiva nos serviços. A nova estratégia prevê compra direta de alguns medicamentos pelo Ministério da Saúde, negociação de preços para aquisição pelos estados e ampliação de repasses a unidades habilitadas em oncologia.

O impacto anual estimado para a oferta dos 23 medicamentos é de R$ 4 bilhões. Somente os nove remédios que começam a ser distribuídos agora terão custo previsto de R$ 155,4 milhões por ano.

Um dos destaques é o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama. De acordo com o governo, o medicamento pode custar até R$ 366 mil na rede privada. O acesso pelo SUS, contudo, seguirá critérios clínicos, indicação médica e os fluxos de encaminhamento da rede pública.

Além dos medicamentos, o governo anunciou o início do rastreamento de câncer colorretal no SUS. A partir de novembro, estados receberão 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos pela sigla FIT, para identificar a presença de sangue oculto nas fezes.

A estratégia será implementada inicialmente em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes e terá como público homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos. O teste não substitui a colonoscopia, mas funciona como triagem para apontar quais pacientes precisam de investigação complementar.

A ampliação também inclui reajustes em procedimentos de diagnóstico e tratamento, custeio de cirurgias videotorácicas para casos oncológicos e reforço à rede de patologia digital. Segundo o Ministério da Saúde, a meta é reduzir o tempo entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento.

Da IstoÉ