Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha

Navio MV Hondius, que registrou três mortes, navega para as Ilhas Canárias sob intensa vigilância sanitária sem novos sintomas.

Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha

Três pessoas retiradas de um navio de cruzeiro devido a um surto de hantavírus foram hospitalizadas em países europeus, enquanto a embarcação MV Hondius navegava nesta quinta-feira (7) em direção ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, onde tem previsão de chegada no domingo. O caso gerou alarme internacional após a morte de três pessoas que estiveram a bordo do navio de bandeira holandesa.

O que aconteceu

  • Um surto de hantavírus em cruzeiro resultou na hospitalização de três passageiros em países europeus, com o navio seguindo para as Ilhas Canárias.
  • O MV Hondius, que transportava 88 passageiros e 59 tripulantes, registrou três mortes, sendo uma delas confirmada por hantavírus.
  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas indicam que o contágio inicial pelo hantavírus ocorreu antes do embarque na Argentina.

Na manhã desta quinta-feira, o MV Hondius estava ao norte de Cabo Verde, conforme monitoramento do site Marine Traffic, que prevê a chegada da embarcação às Ilhas Canárias no domingo ao meio-dia (horário local). A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, especificou que o navio atracará em Granadilla, na ilha de Tenerife.

O cruzeiro, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, transportava passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades. Ruhi Cenet, um blogueiro turco de 35 anos a bordo, relatou que o que começou como uma viagem tranquila rapidamente se transformou em caos após o anúncio da morte de um passageiro em 12 de abril.

“Eles nem sequer consideraram a possibilidade de ser uma doença tão contagiosa. Não levaram o problema a sério o suficiente”, disse Cenet à AFP.

Detalhes da evacuação e hospitalização

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que três pessoas foram retiradas do navio: dois tripulantes doentes e uma pessoa que teve contato próximo com um dos casos confirmados. Os três embarcaram em dois voos partindo da Praia, capital de Cabo Verde, com destino à Europa.

Um dos aviões, com duas pessoas do cruzeiro, pousou na noite de quarta-feira em Amsterdã. Um paciente foi internado em um centro médico universitário em Leiden, nos Países Baixos, e o outro no hospital universitário de Düsseldorf, na Alemanha. A segunda aeronave, transportando o terceiro passageiro retirado, pousou na manhã desta quinta-feira também em Amsterdã.

Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde, afirmou que os três pacientes estão em condição estável, e um deles é assintomático. Além desses, um homem está hospitalizado em Joanesburgo e outro na Suíça devido ao surto.

O que o hantavírus e como ele se espalha?

Uma especialista da OMS disse à AFP que o primeiro caso de hantavírus detectado no navio não poderia ter ocorrido a bordo ou durante uma escala. O período de incubação indica infecção anterior à partida de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Anais Lagand, especialista da OMS em febres hemorrágicas virais, explicou que o período de incubação do hantavírus varia entre uma e seis semanas, o que sugere que a exposição inicial “claramente teve exposição antes do embarque” e estava, “sem dúvidas, ligada a um roedor”.

O Ministério da Saúde da Argentina anunciou que enviará especialistas à cidade patagônica de Ushuaia para analisar a possível presença do vírus naquela região. O hantavírus, transmitido por roedores infectados geralmente por meio de urina, fezes e saliva, é motivo de preocupação após a morte de três pessoas.

Uma das três mortes foi confirmada por hantavírus, e as outras duas são suspeitas de estarem relacionadas à doença. Apesar das preocupações, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou à AFP que a situação não é semelhante ao início da pandemia de covid-19, classificando o “risco para o resto do mundo como baixo”.

Chegada e preocupações com a cepa Andes

Após a chegada do navio às Ilhas Canárias, todos os estrangeiros, exceto aqueles gravemente doentes, serão repatriados para seus países de origem, declarou a ministra espanhola García. As autoridades holandesas informaram que dois especialistas em doenças infecciosas acompanham os passageiros durante o restante da viagem.

Os passageiros começaram a apresentar sintomas há um mês. Uma mulher holandesa morreu na África do Sul em 26 de abril, após desembarcar na ilha de Santa Helena, seguindo a morte do marido a bordo. A empresa de cruzeiros Oceanwide Expeditions informou nesta quinta-feira que ninguém a bordo do navio apresenta novos sintomas.

Especialistas em saúde estão preocupados com o potencial de propagação, após a revelação de que a holandesa que morreu havia viajado com sintomas em um voo comercial da ilha britânica de Santa Helena para Joanesburgo. As autoridades tentam localizar os passageiros do voo que, segundo a companhia aérea sul-africana Airlink, transportava 82 passageiros e seis tripulantes.

Uma comissária de bordo da KLM está sendo testada após apresentar sintomas leves, informou o Ministério da Saúde holandês à AFP. A operadora do cruzeiro Oceanwide Expeditions também informou que 30 passageiros desembarcaram do navio em Santa Helena em 24 de abril.

“Estamos trabalhando para identificar todos os passageiros e tripulantes que embarcaram e desembarcaram nos diversos portos de escala do MV Hondius desde 20 de março”, acrescentou a empresa. O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, confirmou que os testes detectaram a cepa Andes, a única que pode ser transmitida entre pessoas.

A Suíça também confirmou que a pessoa hospitalizada em Zurique testou positivo para a mesma cepa. O paciente de Zurique eleva para três o número de casos confirmados de hantavírus, além de uma morte e um britânico internado na UTI em Joanesburgo.