Brasil

Surpresas nos três maiores colégios eleitorais

O que levou Márcio França a desbancar Skaf para enfrentar o tucano Doria em São Paulo, e dois candidatos até então desconhecidos a disputar, com vantagem, os governos do Rio de Janeiro e Minas Gerais

Virna Santolia

A associação à imagem de Jair Bolsonaro (PSL) virou o pano de fundo da disputa pelos governos dos três maiores colégios eleitorais do País – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nestes dois últimos Estados, podem ser eleitos as grandes novidades do primeiro turno: o juiz federal Wilson Witzel (PSC), candidato no Rio, e o empresário Romeu Zema (Novo), aspirante em Minas Gerais, ambos com o apoio do candidato do PSL. Em São Paulo, os dois que disputam o segundo turno, o ex-prefeito João Doria (PSDB) e o atual governador Márcio França (PSB), também se dividem no que diz respeito à aproximação ao ex-capitão do Exército. Enquanto Doria já declarou marchar com Bolsonaro, França disse que ficará neutro, embora o líder do PSL em São Paulo, Major Olimpio, tenha declarado preferência por França. Mesmo assim, o governador optará pela neutralidade. Seu partido, o PSB, contudo, vai com o petista Fernando Haddad no 2º turno. Um embate mais ideológico do que programático.

 

Desta vez, mal as urnas fecharam, com a confirmação da disputa entre o tucano e o socialista, os primeiros ataques já foram desferidos. No discurso de agradecimento, Doria sinalizou que iria desgastar seu adversário ligando-o à esquerda, pelo fato dele sempre ter apoiado os governos petistas, inclusive sendo líder de Lula na Câmara.Em São Paulo, o antagonismo entre Doria e França começou ainda no domingo, ao final do primeiro turno. Com Doria confirmado no primeiro lugar com 31,7% dos votos, houve uma agonia de mais de uma hora para saber quem o enfrentaria. A disputa entre França e Paulo Skaf (MDB) foi fratricida. Ao final, França venceu por uma diferença de apenas 89 mil votos. O atual governador fez 21,5% dos votos e Skaf 21,1%. Derrotado, o ex-presidente da Fiesp disse que vai apoiar França. Pela primeira vez nos últimos 16 anos, haverá segundo turno para governador paulista (nas outras ocasiões, os tucanos sempre venceram seus adversários no primeiro turno). Em 1998, houve um duelo semelhante pelo segundo lugar entre o governador Mário Covas, do PSDB, já falecido, e a candidata do PT, Marta Suplicy, para disputar o segundo turno contra Paulo Maluf. A diferença entre os dois foi de 77 mil votos a favor de Covas. Depois, no segundo turno, Covas ganhou de Maluf e se reelegeu.

As zebras

Doria costuma atacar o governador impingindo-lhe o apelido de “Márcio Cuba”, numa referência à tendência ideológica do governador, que defende o regime dos irmãos Castro na pequena ilha do Caribe. França também não deixa barato. Contragolpeia o tucano, dizendo que ele não cumpre suas promessas, como a de que seria eleito prefeito para quatro anos e que não abandonaria a prefeitura para disputar as eleições deste ano, ao contrário do que efetivamente aconteceu, permanecendo na Prefeitura apenas por um ano e quatro meses. Ainda bate no fígado do tucano, insinuando que ele traiu o ex-governador Geraldo Alckmin, candidato derrotado do PSDB a presidente.

 

Surpresa mesmo foi Wilson Witzel (PSC), de 50 anos, chegar ao segundo turno para o governo do Rio de Janeiro. Até um dia antes da eleição, os institutos de pesquisa Ibope e Datafolha o colocavam como terceiro na disputa e previam um segundo turno entre o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), de 48 anos, e o ex-jogador de futebol Romário (Podemos). Ao final da apuração, Witzel fechou a conta com 41,28% dos votos, contra 19,56% de Paes. A disputa também guardou relação com Bolsonaro. Na reta final, Witzel foi impulsionado pela onda avassaladora em favor do candidto do PSL, que franqueou apoio à sua candidatura no Rio. Romário, ironicamente, perdeu na corrida. O dono do bordão “treinar para quê” não subiu nem no podium: o “peixe” fora d’água teve de se contentar com o quarto lugar.

Em Minas Gerais, o empresário Romeu Zema (Novo), de 53 anos, dono de uma das maiores redes do varejo mineiro, foi a grande zebra das eleições. Terminou o primeiro turno na liderança com 42,7% dos votos, contra 29,06% dados a Antonio Anastásia (PSDB). Os institutos de pesquisa indicavam que o tucano passaria para o segundo turno à frente do atual governador Fernando Pimentel (PT). Mas, ao se apurar os votos, Pimentel não se reelegeu, amargando mais uma grande derrota para o PT no Estado (Dilma não se elegeu senadora). Como os demais concorrentes nos maiores colégios eleitorais, Zema também sacou o trunfo: foi catapultado pela associação a Bolsonaro.