Por Mari Saito

TÓQUIO (Reuters) – Novas modalidades como surfe e skate, que fizeram sua estreia na Olimpíada de Tóquio, impulsionaram a audiência dos Jogos, principalmente no Brasil, disse o Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta terça-feira, minimizando qualquer impacto da falta de espectadores.

As projeções positivas apresentadas pela entidade esportiva nesta terça-feira contrastam com os dados iniciais de classificação de audiência, que indicam que os Jogos de Tóquio são atualmente os Jogos Olímpicos menos assistidos na história recente na Europa e nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, o mercado mais importante para os Jogos Olímpicos onde a NBCUniversal está exibindo os eventos, a cerimônia de abertura atraiu 16,9 milhões de telespectadores norte-americanos, o menor público do evento nos últimos 33 anos.

Na terça-feira, Timo Lumme, diretor-gerente de televisão e serviços de marketing do COI, disse que a audiência está vindo aos “milhões” nos Estados Unidos para assistir aos Jogos, com uma média de horário nobre para os programas olímpicos, com cerca de 17 milhões de telespectadores norte-americanos cada noite.

Lumme disse esperar que um pouco mais de pessoas tenham assistido à cerimônia de abertura de Tóquio em comparação à do Rio em 2016, com expectativa de que a audiência mundial da TV suba para aproximadamente 600 milhões.

Na China, um grande número de telespectadores sintonizou para ver os 100m rasos masculino e as finais do tênis de mesa individual, enquanto o surfe e o skate foram cinco dos dez programas olímpicos mais vistos no Brasil durante a primeira semana de Jogos.

No Japão, onde mais da metade do público se opôs à realização da Olimpíada, a audiência permaneceu robusta, com 113,5 milhões de japoneses assistindo a alguma cobertura dos Jogos em 1º de agosto.

Apesar do impulso das novas modalidades, a audiência também caiu em toda a Europa.

A emissora pública britânica BBC disse que teve um pico de audiência ao vivo de 2,3 milhões e 944 mil transmissões online para a cerimônia de abertura, um declínio de 39,4% em relação ao pico da audiência na cerimônia de abertura no Rio, e de 61% em comparação com a estreia de Pequim em 2008.

Em resposta às perguntas dos repórteres nesta terça-feira sobre as consequências de não ter público nas arquibancadas devido às restrições da Covid-19, Lumme disse que isso “não teve efeito” na audiência ou no engajamento.

Embora as comparações com as Olimpíadas anteriores sejam imperfeitas devido aos diferentes fusos horários, o presidente-executivo da NBCUniversal disse que a audiência em patamares baixos à nivel recorde se deve ao atraso de um ano dos Jogos e também à falta de público nos locais de competição.

(Por Mari Saito e Karolos Grohmann)

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