ROMA, 4 JAN (ANSA) – A Suprema Corte da Venezuela ordenou na noite do último sábado (3) que a vice-líder do país, Delcy Rodríguez, assuma a presidência interina após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
A decisão determinou que Rodríguez “assuma e exerça, de forma responsável, todas as atribuições, deveres e poderes inerentes ao cargo de presidente da República Bolivariana da Venezuela, a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”.
Os magistrados, contudo, ainda não declararam a destituição definitiva de Maduro ? medida que, pela legislação venezuelana, exigiria a convocação de eleições antecipadas no prazo de até 30 dias.
Após uma operação na madrugada de sábado, Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram conduzidos a um navio militar dos Estados Unidos no Caribe e, em seguida, levados a Nova York, onde deverão responder a acusações do Departamento de Justiça do governo Donald Trump, incluindo narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Segundo o jornal The New York Times, citando fontes, Rodríguez impressionou os assessores de Trump com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana, convencendo-os de que poderia ser uma alternativa aceitável a Maduro.
O artigo alega que intermediários convenceram o governo dos EUA de que Rodriguez protegeria e apoiaria futuros investimentos energéticos americanos no país.
“Acompanho a carreira dela há muito tempo, então tenho uma boa ideia de quem ela é e do que faz”, disse um alto funcionário americano, referindo-se a Rodríguez.
“Não estou dizendo que ela seja a solução definitiva para os problemas do país, mas certamente é alguém com quem acreditamos que podemos trabalhar em um nível muito mais profissional do que com ele”, acrescentou a fonte, referindo-se a Maduro.
De acordo com o NYT, Trump nunca demonstrou qualquer simpatia pela líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, que, segundo ele, não tem “o apoio” necessário para governar o país sul-americano.
O jornal destaca ainda que Rodríguez conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e aumentar, de forma lenta porém consistente, a produção de petróleo do país, apesar do endurecimento das sanções dos Estados Unidos ? um feito que lhe rendeu até mesmo o respeito, ainda que relutante, de alguns funcionários americanos.
Paralelamente, o governo brasileiro anunciou o reconhecimento de Rodríguez como presidente interina da Venezuela. A confirmação foi feita em Brasília pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, durante coletiva de imprensa após reunião dedicada à crise venezuelana.
“Na ausência do atual presidente Maduro, é a vice. Ela está como presidente interina”, afirmou ela.
O anúncio ocorreu após uma cúpula no Ministério das Relações Exteriores que contou com a presença do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou o encontro por videoconferência.
Segundo Monteiro, a situação na fronteira com a Venezuela, especialmente na região de Pacaraima (Roraima), permanece “calma”, com fronteiras abertas e sem restrições à circulação.
De acordo com o Itamaraty, cerca de 100 turistas brasileiros que estavam na região fronteiriça já deixaram o território venezuelano sem dificuldades. (ANSA).