ROMA, 7 JUN (ANSA) – O ex-jogador do Milan e do Benevento Seid Visin, que cometeu suicídio em sua residência na semana passada, escreveu uma carta relatando episódios de racismo que sofria diariamente na Itália.
Na carta, que teria sido escrita por Visin alguns anos antes de ter tirado a própria vida, o etíope afirmou que “sentia o peso” dos “olhares preconceituosos e enojados” das pessoas.
“Diante deste cenário sócio-político que se agigante na Itália, eu, como homem negro, inevitavelmente me sinto questionado.
Sinto nos ombros, como uma pedra, o peso dos olhares céticos, preconceituosos, enojados e assustados das pessoas. Há alguns meses consegui arranjar um emprego que precisei abandonar porque diversas pessoas, na sua maioria idosas, se recusaram a ser cuidadas por mim e elas apontavam que eu tinha responsabilidade de muitos jovens italianos não encontrarem trabalho”, escreveu o ex-atleta.
A ex-promessa do Milan ainda revelou na carta que tinha “medo do ódio” das pessoas pelos migrantes.
“O medo do ódio que vejo nos olhos das pessoas pelos migrantes, o medo do desprezo que sentia na boca das pessoas, até mesmo dos meus familiares, que constantemente em melancolia invocavam Mussolini e o ‘Capitão Salvini'”, relatou o jovem.
Visin, que tinha 20 anos, foi adotado ainda criança por um casal da província de Salerno, na Itália. O ex-jogador largou o futebol em 2016 e se dedicava apenas aos estudos. Ele também atuava na equipe de futsal do Atletico Vitalica.
O goleiro Gianluigi Donnarumma, do Milan, jogou junto com Visin nas categorias de base do clube italiano e relembrou à ANSA do ex-companheiro de equipe.
“Conheci o Seid assim que cheguei em Milão, vivíamos juntos em um internato, muitos anos se passaram e nunca esqueço aquele sorriso incrível dele, aquela alegria de viver. Ele era um amigo, um menino como eu. Nos distanciamos nos últimos anos, mas essa notícia me atingiu profundamente. Descanse em paz”, comentou o goleiro da seleção da Itália. (ANSA).