Suíça decreta 5 dias de luto após tragédia em estação de esqui

Suíça decreta 5 dias de luto após tragédia em estação de esqui

"GovernoIncêndio em bar de Crans-Montana durante festa de Ano Novo causou a morte de cerca de 40 pessoas e deixou ao menos 115 feridos, a maioria em estado grave.A Suíça decretou nesta sexta-feira (02/01) cinco dias de luto oficial em todo o país após a tragédia provocada por um incêndio em um bar na estação de esqui Crans-Montana durante as celebrações do Ano Novo.

O incêndio matou cerca de 40 pessoas e deixou ao menos 115 feridos, a maioria em estado grave.

O presidente suíço, Guy Parmelin, descreveu o incidente como um dos mais traumáticos da história do país. "Foi um drama de proporções desconhecidas", afirmou, ao prestar homenagem às muitas "vidas jovens que foram perdidas e interrompidas".

Dezenas de pessoas comemoravam a chegada de 2026 no bar Le Constellation quando o fogo começou por volta de 1h30 (horário local). A polícia descreveu o ocorrido como um "incidente grave". A investigação sobre a causa do fogo está em andamento, mas a polícia trata o caso como um acidente e descarta um ato criminoso.

O governo do cantão de Valais disse que ocorreu um flashover no bar, "resultando em uma ou mais explosões".

Um flashover ocorre quando quase todas as superfícies de um ambiente atingem simultaneamente a temperatura de ignição, fazendo com que o fogo se propague de forma súbita e generalizada. Desta forma, as autoridades esclareceram que as explosões inicialmente relatadas pelos moradores da região não causaram o incêndio, mas foram uma consequência dele.

Segundo a polícia, a primeira chamada de emergência ocorreu imediatamente após o início do incêndio. Foram mobilizados 43 ambulâncias, 13 helicópteros e 150 paramédicos. Equipes de países vizinhos também participaram do resgate. A área foi completamente isolada.

O bar, de acordo com informações do próprio estabelecimento, tem capacidade para cerca de 300 pessoas. No entanto, não se sabe quantas pessoas se encontravam no interior no momento do incêndio.

Na noite desta quinta-feira, centenas de pessoas se reuniram em silêncio próximo ao local da tragédia para prestar suas homenagens às vítimas, depositando flores e acendendo velas.

Destino de luxo altamente frequentado

Crans-Montana é um sofisticado destino turístico, frequentado por celebridades. Durante as festas de fim de ano, o local costuma estar lotado.

A cidade tem apenas 10.000 habitantes e conta com 2.600 leitos de hospedagem, além de centenas de apartamentos de férias. Com cerca de um milhão de pernoites por ano, aproximadamente 20% dos visitantes vêm do exterior, segundo a autoridade local de turismo, especialmente italianos e franceses.

Por essa razão, é provável que haja u grande número de estrangeiros entre os mortos e feridos.

O embaixador da Itália na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, disse à emissora estatal RAI que treze cidadãos italianos estavam entre os feridos e outros seis estão desaparecidos.

O Ministério do Exterior da França disse que oito franceses estão desaparecidos e outros nove estão entre os feridos.

O resort fica a cerca de 1.500 metros acima do nível do mar e oferece uma grande área para esqui. Também recebe regularmente grandes eventos esportivos, incluindo as provas da Copa do Mundo de Esqui, realizadas no final de janeiro.

Peritos iniciam identificação das vítimas

Segundo as autoridades, o hospital regional atingiu a capacidade máxima devido ao grande número de feridos. O Hospital Universitário de Lausanne, especializado em vítimas de queimaduras, já internou 22 pessoas.

Mais de uma dezena de feridos foram levados ao Hospital Universitário de Zurique. Outros foram transferidos de avião para Genebra e distribuídos entre outros hospitais da Suíça. Um foi levado de avião para Stuttgart, na Alemanha.

Nesta sexta-feira, os investigadores iniciaram o processo de identificação dos mortos. A primeira vítima foi identificada como Emanuele Galeppini, um jovem golfista italiano. Embora diversos veículos de imprensa tenham divulgado a notícia, as autoridades ainda não confirmaram os nomes das vítimas.

Proibição de fogos

Autoridades de Crans-Montana haviam cancelado e proibido os fogos anteriormente previstos para o réveillon devido a uma situação de seca.

Nesta época do ano, a região costuma estar coberta por uma manta de neve, que desta vez não se formou devido à ausência de precipitações e às altas temperaturas para o inverno europeu.

efe, ots (le)