Sudeste é a região mais favorável ao fim da escala 6×1, mostra pesquisa

Pesquisa indicou que apoio à pauta aumenta caso seja garantida a manutenção salarial

Reuters
Ônibus lotado em São Paulo Foto: Reuters

Uma pesquisa da Nexus demonstrou que moradores da Região Sudeste lideram o apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Segundo o levantamento, 67% dos sudestinos são favoráveis ao modelo que substitui seis dias consecutivos de trabalho por apenas um de descanso. O índice é o mais alto do País e supera a média nacional, de 63%.

Na sequência aparecem Nordeste (66%), Sul (63%), Centro-Oeste (52%) e Norte (51%). Proporcionalmente, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo também concentram os menores índices de rejeição à proposta – apenas 18% dos moradores do Sudeste se disseram contrários. Outros 6% afirmaram não ser nem a favor nem contra, enquanto 9% não souberam responder.

Além de liderar o apoio, o Sudeste é a região mais informada sobre o tema. Ao todo, 71% dos moradores afirmam conhecer, ao menos em parte, as discussões da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 – sendo 18% com conhecimento aprofundado e 53% com algum nível de familiaridade.

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Apoio cresce sem corte salarial

Apesar do apoio majoritário à proposta, a pesquisa revela que a maioria dos brasileiros só aprova o fim da escala 6×1 se não houver redução salarial. De maneira geral, 63% defendem o fim do modelo atual. Esse número sobe para 73% quando a mudança é condicionada à manutenção dos salários.

Apenas 28% dos entrevistados afirmam apoiar o fim da escala mesmo que haja impacto negativo na remuneração. Outros 40% só concordam com a medida se os rendimentos forem preservados, e 5% dizem ser favoráveis, mas ainda não têm opinião formada sobre a questão salarial.

“O brasileiro vive uma realidade financeira apertada. Embora quase todo mundo queira uma jornada menor, pouca gente está disposta a abrir mão de renda”, afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. Segundo o levantamento, 84% da população defendem ao menos dois dias de descanso por semana, evidenciando a contradição entre o desejo por mais tempo livre e a dependência da renda mensal.

Metodologia

A Nexus entrevistou 2.021 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs) entre os dias 30 de janeiro e 05 de fevereiro. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p, com intervalo de confiança de 95%.