Edição nº2521 13.04 Ver edições anteriores

Sucessão de 2018: cenário sombrio

O quadro da sucessão presidencial continua confuso. É muito provável que os principais nomes que hoje estão listados como pré-candidatos não estejam na urna eletrônica no dia 7 de outubro. Uns por razões jurídicas, outros pela dificuldade de se consolidarem como candidatos viáveis. Esse cenário de absoluta indefinição é produto da crise política — mais do que de simples representação — por que passa o País.

Os principais partidos políticos vivem crises internas. O PT só sobrevive graças a figura de Lula. Ao longo da sua história, Lula impediu a consolidação de novas lideranças, temendo ser ofuscado — teve o mesmo comportamento quando militava no sindicalismo. O PSDB ainda não assimilou as quatro derrotas consecutivas nas últimas eleições presidenciais. Continua dividido entre os projetos pessoais das suas principais lideranças. O PMDB permanece como uma federação de caciques estaduais. Não consegue ter uma presença nacional quando se trata de lançar um candidato à Presidência — algo que não o faz desde 1994. Os outros partidos menores estão sempre à espreita para compor a chapa dos três maiores agrupamentos políticos ou aguardando algum out sider para ceder a sigla à eleição.

Novos partidos surgiram — alguns com a simples alteração na denominação — tentando captar o sentimento de enfado da sociedade civil frente à politica tradicional. Até o momento, nada indica que poderão obter bons resultados eleitorais. Construir o novo em meio a uma estrutura carcomida, velha e corrompida é uma tarefa fadada ao fracasso — mesmo assim deve ser louvado este esforço.

Há um desejo de mudança no ar, maior — muito maior — que o de simplesmente optar por um candidato apresentado por um partido. Essa é a contradição principal da política contemporânea brasileira. Foi-se o tempo que votar para presidente da República era uma bandeira radical. Isto ficou nos já distantes anos 1980. O cidadão quer mais. Deseja qualificar sua escolha. E aí mora o problema.

As candidaturas apresentadas até o momento são ideologicamente frágeis. As pesquisas eleitorais detectam apenas a escolha de uma persona. Como no teatro, o personagem não tem conteúdo pois sequer conhecemos suas falas. O Brasil merece mais. E os programas de governo? Mais ainda: e os projetos de longo prazo para o País?

As candidaturas apresentadas até o momento são ideologicamente frágeis.
As pesquisas eleitorais detectam apenas a escolha de uma persona


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